O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a defender o uso da força militar para proteger os interesses americanos durante seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York. Diante de líderes mundiais, o republicano reafirmou sua política externa, fez novas ameaças ao Irã, previu a queda do governo de Cuba e destacou a atuação militar americana na Venezuela.
As declarações provocaram reações no plenário. Representantes de Cuba e do Irã deixaram a Assembleia durante a manifestação do presidente americano. O episódio ocorreu em uma sessão marcada por posições divergentes sobre segurança internacional, cooperação diplomática e o papel das Nações Unidas.
Trump defende poder militar e volta a ameaçar o Irã
Ao abordar a política externa dos Estados Unidos, Trump afirmou que seu governo não pretende permitir o crescimento de ameaças aos interesses americanos. O presidente voltou a apresentar o poder militar como instrumento de segurança nacional e defendeu operações realizadas por sua administração.
O Irã ocupou uma parte importante do pronunciamento. Trump justificou as ações militares americanas contra o país e reafirmou que não permitirá o desenvolvimento de uma arma nuclear pelo governo iraniano.
Em um dos momentos de maior tensão do discurso, o presidente apresentou duas possibilidades para Teerã: negociar um acordo com Washington ou enfrentar novas ações militares de grande intensidade.
Apesar das ameaças, Trump afirmou acreditar que um entendimento ainda poderá ser alcançado. Também pediu aos demais países que mantenham a pressão econômica sobre o Irã enquanto persistirem as divergências relacionadas ao programa nuclear, à segurança regional e à navegação comercial.
Cuba é alvo de novas declarações e delegação abandona plenário
O presidente americano também voltou suas críticas ao governo cubano.
Trump classificou Cuba como um Estado fracassado e afirmou que sua administração busca uma mudança profunda na situação política da ilha. Segundo ele, o governo cubano enfrenta uma pressão sem precedentes e acabará caindo.
Durante as declarações, a delegação de Cuba deixou o plenário da Assembleia Geral.
O presidente mencionou ainda negociações conduzidas pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, com representantes cubanos, sem apresentar um prazo para eventual acordo.
As falas ocorrem em meio ao aumento da pressão de Washington sobre Havana. Os Estados Unidos mantêm um embargo comercial contra Cuba há mais de seis décadas, e a atual administração intensificou as medidas contra o governo da ilha.
Venezuela entra no discurso sobre influência americana
Ao falar sobre a América Latina, Trump destacou a operação militar realizada na Venezuela, em janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro.
O presidente apresentou a ação como exemplo da disposição de seu governo de empregar as Forças Armadas em defesa dos interesses americanos.
Trump também afirmou que Washington trabalha com lideranças venezuelanas e anunciou um acordo na área de petróleo entre os dois países.
A Venezuela foi citada dentro de uma política mais ampla de presença militar e econômica dos Estados Unidos no continente americano.
Trump rejeita controle internacional da inteligência artificial
A inteligência artificial também esteve entre os principais assuntos do pronunciamento.
Trump criticou propostas de regulamentação internacional da tecnologia e afirmou que os Estados Unidos rejeitam iniciativas de controle global que possam interferir no desenvolvimento americano do setor.
O presidente defendeu a liderança tecnológica dos Estados Unidos e sugeriu substituir a expressão inteligência artificial por superinteligência nos documentos oficiais americanos.
Na avaliação apresentada por Trump, o domínio dessa tecnologia terá papel decisivo na disputa econômica e estratégica entre as grandes potências.
Durante o discurso, ele também voltou a questionar alertas relacionados às mudanças climáticas, associando suas críticas ambientais à rejeição de propostas internacionais de regulamentação tecnológica.
Guterres pede paz, cooperação e reforma da ONU em discurso de despedida
Enquanto Trump destacou o poder militar e a soberania americana, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apresentou uma mensagem centrada na cooperação internacional.
Em seu último discurso de abertura do debate geral da Assembleia, antes do encerramento de seu mandato em 31 de dezembro, Guterres alertou para o agravamento das guerras, das desigualdades, da crise climática e dos riscos associados ao desenvolvimento da inteligência artificial.
O secretário-geral afirmou que os países precisam fortalecer o diálogo e respeitar o direito internacional. Também defendeu mecanismos globais de supervisão da inteligência artificial, para evitar que decisões capazes de afetar vidas humanas sejam transferidas sem controle a sistemas automatizados.
Guterres voltou a cobrar uma reforma do Conselho de Segurança da ONU, especialmente para ampliar a representação de regiões que permanecem sem assentos permanentes, como a África.
O dirigente encerra dez anos à frente das Nações Unidas em um momento de conflitos internacionais, dificuldades financeiras e questionamentos sobre a capacidade da organização de responder às principais crises mundiais.
A abertura da 81ª Assembleia Geral expôs, assim, duas abordagens diferentes sobre os desafios internacionais: de um lado, a defesa americana de ações militares e da autonomia nacional; de outro, o apelo da direção da ONU por regras compartilhadas, negociações e fortalecimento das instituições multilaterais.
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