A privatização da ES Gás e a entrada do Grupo Energisa na operação da distribuidora marcaram uma nova fase para o mercado de gás natural no Espírito Santo. Pouco mais de três anos após assumir a empresa, adquirida por R$ 1,4 bilhão, o grupo projeta alcançar cerca de R$ 3 bilhões em investimentos até 2030, considerando a compra, os recursos já aplicados e os aportes previstos. Segundo o presidente da companhia, Raphael Pereira, que assumiu o cargo em maio de 2026, a segurança jurídica e regulatória estabelecida durante o processo de desestatização, com participação da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (Ales), ajudou a atrair investidores e viabilizar projetos de longo prazo.
Desde o início da operação, a Energisa ampliou em aproximadamente 30% a base de clientes e expandiu em 40% a rede de distribuição de gás natural. Os investimentos realizados a partir de 2023 deverão se aproximar de R$ 400 milhões até o fim de 2026. Para o período até 2030, a empresa prevê mais de R$ 1 bilhão em novos investimentos, incluindo cerca de R$ 800 milhões em aportes futuros. A concessão da distribuição de gás natural no Espírito Santo permanece válida até 2045, permitindo o planejamento de obras de infraestrutura e a ampliação do atendimento a consumidores residenciais, comerciais e industriais.
A expansão para novas cidades está entre as prioridades da distribuidora. Quando a Energisa assumiu a ES Gás, a empresa atendia 13 municípios capixabas. Com a inclusão de Guarapari, a área de atuação passou a abranger 14 cidades. Até 2030, a previsão é chegar também a Pedro Canário, Nova Venécia, Jaguaré, Domingos Martins e Mimoso do Sul, totalizando 19 municípios. A escolha das localidades leva em conta o potencial econômico, a presença de indústrias e a demanda por energia. Entre os projetos mencionados pela direção está a instalação de uma unidade industrial da montadora GWM, em Aracruz, que deverá utilizar gás natural em suas atividades.
O consumo do combustível também registrou crescimento no Estado. De acordo com Raphael Pereira, o volume de gás natural distribuído aumentou 15% em 2025, na comparação com o ano anterior. No primeiro trimestre de 2026, a alta foi novamente de 15% em relação aos três primeiros meses de 2025. A expansão das atividades também teve reflexos no mercado de trabalho. A empresa passou de cerca de 20 colaboradores no início da operação da Energisa para aproximadamente 200 empregados próprios. Além disso, mantém cerca de 300 trabalhadores indiretos envolvidos em obras, manutenção e prestação de serviços, alcançando um contingente estimado entre 500 e 550 pessoas, consideradas as atividades relacionadas.
Para acompanhar o crescimento do setor, a ES Gás também investiu na formação de profissionais especializados. Em parceria com a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), a companhia participou da retomada de um curso para formação de gasistas. Esses profissionais são responsáveis por atividades de instalação, operação e manutenção das redes, além do atendimento a emergências. A primeira turma, com aproximadamente 20 alunos, concluiu um ciclo de formação de um ano. A iniciativa busca preparar mão de obra qualificada e ampliar as oportunidades de emprego em um segmento que demanda conhecimentos técnicos específicos.
Outra área que recebe atenção da distribuidora é a cafeicultura, principalmente nas regiões norte e noroeste capixabas. A empresa desenvolve experiências para substituir a lenha pelo gás natural na secagem dos grãos. Um projeto realizado na Fazenda Chapadão, em Linhares, em parceria com o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), apresentou resultados iniciais considerados positivos pela companhia. O uso do combustível permite maior controle da temperatura e pode contribuir para reduzir perdas, além de evitar que a fumaça interfira no aroma e no sabor do café. Para atender propriedades afastadas da rede convencional, a ES Gás utiliza o modelo de gasoduto virtual, que consiste no transporte de gás natural comprimido em carretas até os pontos de consumo.
A experiência capixaba também contribuiu para a expansão da Energisa no mercado nacional de gás natural. Antes de adquirir a ES Gás, o grupo concentrava suas atividades principalmente na distribuição de energia elétrica. Atualmente, além da operação no Espírito Santo, participa de quatro distribuidoras no Nordeste e investe na produção de biometano na região Sul. Segundo Raphael Pereira, a atuação no Estado serviu de referência para estruturar uma nova frente de negócios e identificar oportunidades em outros mercados. A companhia aposta na ampliação da infraestrutura energética como forma de estimular a instalação de indústrias, fortalecer atividades produtivas e diversificar as opções de fornecimento de energia.
Na avaliação do presidente da ES Gás, a participação da Assembleia Legislativa foi importante para estabelecer as bases jurídicas e regulatórias que deram sustentação ao processo de privatização e ampliaram a previsibilidade para os investidores. A empresa destaca como resultados da nova fase o crescimento da rede, o aumento do consumo, a geração de empregos e a perspectiva de atendimento a mais municípios. Até 2030, os investimentos previstos deverão ampliar a presença do gás natural na economia capixaba, com possibilidades de utilização na indústria, no comércio, no transporte e no agronegócio. A expectativa da companhia é que a expansão dos serviços contribua para atrair novos empreendimentos e criar oportunidades de desenvolvimento no Espírito Santo.
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