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Escola é peça-chave no combate à violência sexual contra crianças, afirma especialista

Congresso nacional em Brasília debateu estratégias de proteção à infância e reforçou a importância da prevenção, da escuta e da atuação integrada entre escola, saúde e assistência social.

redação Por redação
22/05/2026 - 17:20
em Brasil
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Especialistas defendem fortalecimento das escolas e da rede de proteção no combate à violência sexual contra crianças e adolescentes durante congresso em Brasília.

Imagem: visoot/ Adobe Stock

Brasília sediou até esta quinta-feira (21) o III Congresso Brasileiro de Enfrentamento à Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, promovido pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. O evento reuniu especialistas, gestores públicos e representantes da sociedade civil para discutir estratégias de prevenção e proteção à infância e adolescência.

O congresso integra a campanha nacional “Faça Bonito”, principal mobilização do Maio Laranja, movimento de conscientização sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, celebrado em 18 de maio, data instituída pela Lei Federal 9.970/2000.

A mobilização lembra o caso de Araceli Cabrera Crespo, menina de 8 anos assassinada em 1973, no Espírito Santo, após desaparecer na saída da escola. O crime se tornou símbolo da luta pelos direitos das crianças e adolescentes no Brasil.

Lucas Lopes diz que a escola tem papel central no debate – Marcelo Camargo/Agência Brasil

Durante entrevista à Agência Brasil, o secretário executivo da Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes, Lucas Lopes, destacou que a escola é hoje o principal espaço de contato entre o Estado e crianças e adolescentes.

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Segundo ele, investir em ações preventivas dentro do ambiente escolar é fundamental para ampliar a proteção das vítimas e fortalecer a identificação precoce de situações de violência.

“A escola ainda é o equipamento público onde a gente consegue ter o maior ponto de contato entre o Estado brasileiro e as crianças e adolescentes. Então, investir na prevenção na escola é a nossa melhor aposta”, afirmou.

Lucas Lopes ressaltou ainda que a escola precisa atuar em conjunto com os conselhos tutelares, segurança pública e unidades de saúde para garantir respostas rápidas e adequadas diante de suspeitas de abuso.

Escuta e acolhimento das vítimas

O especialista também orientou famílias e responsáveis a ouvirem atentamente as crianças e adolescentes e jamais desacreditarem dos relatos apresentados.

“Comece olhando para a criança, ouvindo e nunca duvidando dela”, destacou.

Ele alertou que questionar ou minimizar o relato da vítima pode gerar impactos emocionais profundos e agravar o trauma.

Autoproteção e educação preventiva

Outro tema debatido no congresso foi a importância da educação preventiva e da chamada autoproteção. Segundo Lucas Lopes, ensinar crianças e adolescentes sobre o próprio corpo, limites e relações interpessoais ajuda a identificar sinais de violência e fortalece mecanismos de proteção.

O especialista afirmou que essa abordagem possui respaldo científico e internacional e deve ser tratada como uma estratégia de promoção da qualidade de vida e dos direitos da infância.

“O autor da violência sabe exatamente quais estratégias vai usar. A criança não tem esse repertório. Por isso, precisamos oferecer instrumentos de proteção”, explicou.

Violência no ambiente digital preocupa especialistas

O congresso também discutiu os desafios relacionados à violência sexual no ambiente virtual. Lucas Lopes destacou que o chamado ECA Digital é visto como referência internacional, mas apontou dificuldades na implementação efetiva das medidas previstas.

Ele afirmou que ainda há um longo caminho para fortalecer mecanismos de proteção de crianças e adolescentes nas plataformas digitais e garantir que empresas de tecnologia cumpram suas responsabilidades.

Meninos ainda enfrentam invisibilidade

Durante a entrevista, o secretário executivo chamou atenção para a subnotificação e invisibilidade dos casos de violência sexual contra meninos. Segundo ele, estigmas sociais dificultam denúncias e aumentam o sofrimento das vítimas.

“O imaginário social faz com que muitos acreditem que meninos seriam mais resistentes à violência, o que não corresponde à realidade”, afirmou.

Lucas Lopes ressaltou que programas voltados à proteção de meninos e adolescentes têm demonstrado resultados positivos na prevenção da violência e no fortalecimento de relações saudáveis.

Integração entre órgãos públicos

O congresso também debateu a necessidade de maior articulação entre governos federal, estaduais e municipais para financiar e implementar políticas públicas de enfrentamento à violência sexual infantojuvenil.

Entre as iniciativas em andamento está a adaptação do Projeto Mapear, da Polícia Rodoviária Federal, para identificar pontos vulneráveis de exploração sexual em rotas fluviais da Região Norte.

Segundo o especialista, áreas de garimpo, desmatamento e grandes obras estão entre os locais considerados mais vulneráveis à exploração de crianças e adolescentes.

A Coalizão Brasileira pelo Fim da Violência contra Crianças e Adolescentes atua como articulação nacional formada por organizações e redes da sociedade civil voltadas à prevenção e ao enfrentamento das violências contra o público infantojuvenil.

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Tags: #CombateAoAbuso#ConselhoTutelar#CriançasEAdolescentes#DireitosHumanos#ECA#Escola#FaçaBonito#infância#MaioLaranja#ProteçãoInfantil#segurancainfantil#ViolênciaSexualBrasilEducaçãoMDHCNotícias
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