México e Brasil são os dois países latino-americanos com maior participação na fabricação de produtos eletrônicos, segundo levantamento divulgado pela Bloomberg nesta quarta-feira (23). O setor é considerado estratégico para a economia mundial e tem a maior parte de sua produção concentrada na Ásia e nos Estados Unidos.
Os dados fazem parte do estudo “The Age of Power”, elaborado pela consultoria britânica Ember. A pesquisa considera a fabricação de diferentes tipos de hardware digital, incluindo smartphones, computadores, telas, placas de circuito impresso e outros componentes utilizados na indústria de tecnologia.
A China lidera com ampla vantagem o mercado mundial. De acordo com o levantamento, o país responde por 58,8% da capacidade global de fabricação de hardware digital, consolidando sua posição como principal centro produtivo da indústria eletrônica.
O México aparece na nona colocação do ranking mundial, com 1,2% da capacidade de fabricação. O país fica à frente de Alemanha e Cingapura, que registram participação de 0,7% cada. A posição mexicana é associada ao desenvolvimento de uma indústria voltada para a exportação e à integração comercial com os Estados Unidos e o Canadá.
Para Diana Becerra Peña, professora do Centro Universitário de Ciências Econômico-Administrativas da Universidade de Guadalajara, a presença mexicana entre os dez maiores fabricantes é resultado de décadas de especialização industrial e de investimentos em competitividade. Segundo a pesquisadora, o acordo comercial entre México, Estados Unidos e Canadá, conhecido como T-MEC, também contribuiu para fortalecer esse processo.
O Brasil aparece na 14ª posição, com participação de 0,4% na fabricação mundial dos equipamentos considerados pelo estudo. Apesar de estar entre os países latino-americanos com maior presença no segmento, a participação brasileira ainda é pequena diante da dimensão do mercado global de tecnologia.
O consultor brasileiro Vivaldo José Breternitz avalia que a redução da participação do Brasil está relacionada ao processo de desindustrialização registrado nas últimas décadas. Segundo ele, esse cenário teria afetado principalmente a capacidade do país de produzir componentes eletrônicos de maior complexidade e valor agregado.
O levantamento mostra, assim, a forte concentração mundial da indústria de hardware digital e a presença ainda limitada da América Latina nesse mercado. México e Brasil ocupam posições de destaque regional, mas os números também evidenciam a distância entre a capacidade produtiva latino-americana e a dos principais polos tecnológicos globais.
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