Desde 2003, Fernando Henrique dos Santos, 42 anos, convive com fortes dores na coluna. Diagnosticado inicialmente com artrite reumatoide e, mais tarde, com espondilite anquilosante, ele depende de aplicações regulares do medicamento infliximabe, fornecido gratuitamente pelo SUS. O problema é que, apesar do acesso ao remédio, não há centros públicos suficientes para a aplicação segura do tratamento.
Morador de Guarulhos (SP), Santos precisou se deslocar por anos até Mogi das Cruzes para receber a infusão em segurança. Após o fim do contrato entre o laboratório fabricante e o governo, passou a recorrer a uma clínica privada na capital paulista, via convênio médico.
A situação dele reflete a realidade de milhares de brasileiros. Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), a falta de centros de terapia assistida no SUS e de protocolos claros compromete a eficácia de medicamentos de alto custo usados no tratamento de doenças crônicas e autoimunes.
“Há pacientes que têm o remédio em mãos, mas não têm onde aplicá-lo. Isso não tem cabimento”, afirma Vander Fernandes, coordenador da Comissão de Centros de Terapia Assistida da SBR. Ele explica que muitos imunobiológicos exigem armazenamento em cadeia de frio, manipulação específica e acompanhamento de equipe especializada para evitar reações adversas.
Os números da carência no SUS:
- O Brasil tem apenas 61 centros de terapia assistida, a maioria privada e concentrada no Sudeste.
- Apenas 11 possuem contrato com o SUS.
- Estima-se que 20 mil pacientes necessitem desses serviços para uso de imunobiológicos fornecidos pelo sistema público.
- Uma pesquisa da Biored Brasil (2023) revelou que 46% dos pacientes não tinham centro de aplicação próximo e 10% estavam sem acesso ao tratamento.
- Mais da metade (55%) pagava entre R$ 150 e R$ 200 por aplicação, impactando diretamente a renda familiar.
Para a SBR, a solução passa pela criação de uma rede nacional de centros de terapia assistida, com financiamento do Ministério da Saúde, credenciamento de serviços e protocolos padronizados.
Em nota, o Ministério informou que estuda a criação de pontos de aplicação em unidades públicas, mas o processo ainda está em fase técnica.
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