Ao longo dos 35 anos de existência, o Sistema Único de Saúde (SUS) promoveu avanços históricos na saúde da mulher, impulsionados pela expansão da Estratégia Saúde da Família (eSF) e pelo fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS). Entre os destaques estão a ampliação da cobertura do pré-natal, a oferta de métodos contraceptivos, a prevenção de câncer e outras condições crônicas, além de políticas específicas de cuidado integral.
As mulheres representam mais de 104 milhões de brasileiras e são maioria também no setor público de saúde: 75% da força de trabalho, segundo o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES).
Políticas que mudaram vidas
Em 2011, novas conquistas reforçaram a rede materno-infantil, com a valorização do pré-natal humanizado, incentivo ao parto seguro, expansão das casas da gestante e dos centros de parto normal, além da garantia de acompanhantes e a implantação de boas práticas obstétricas.
A estudante Ana Luiza Arantes Lima, de Taguatinga (DF), relata o acolhimento recebido na UBS durante gestação e pós-parto:
“Cheguei desesperada por dificuldades na amamentação e fui prontamente atendida. A enfermeira me apoiou emocionalmente e consegui seguir amamentando. Fui até doadora de leite materno. É incrível ter esse cuidado gratuito e humano.”
O Brasil conta hoje com a maior rede de bancos de leite do mundo, com 226 unidades espalhadas por todos os estados e o DF, coordenadas pelo Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).
Com foco na redução da mortalidade materna evitável, especialmente entre mulheres pretas e indígenas, o Ministério da Saúde lançou em 2023 a Rede Alyne, voltada à reorganização dos serviços materno-infantis e ao atendimento de populações em maior vulnerabilidade.
Outra política recente é o Programa Dignidade Menstrual, que garante absorventes gratuitos e promove ações de conscientização e combate à desinformação sobre o ciclo menstrual.
Cuidado universal e equitativo
O SUS se consolidou como um marco de redução das desigualdades de gênero, oferecendo cuidado integral para todas as mulheres, incluindo a população trans.
A moradora de Salvador (BA), Nathalia de Souza Nunes, mulher trans, descreve o acolhimento recebido desde 2019:
“Na minha unidade sempre fui respeitada. A equipe me apoiou no processo de hormonização, orientou sobre mudança de nome no cartão SUS e indicou onde buscar atendimento. Essa rede foi essencial na minha trajetória.”
Em Caruaru (PE), a agente comunitária Marivania Maria dos Santos reforça o impacto do SUS na vida das mulheres:
“Antes, precisávamos andar quilômetros para um simples exame. Hoje, na zona rural, temos atendimento na UBS com equipe multiprofissional. A diferença é enorme.”
Com políticas públicas universais, o SUS se tornou uma agenda prioritária de governo, garantindo saúde integral, equidade e dignidade para mulheres em todo o Brasil.
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