A Beija-Flor tem investido em tecnologia para transformar os processos de produção do desfile. Financiado pelo presidente da agremiação, Almir Reis, o laboratório de indústria 4.0 instalado no barracão foi idealizado e desenvolvido pelo engenheiro mecânico Luiz Lolli, responsável por toda a estrutura de fabricação digital.
De acordo com a atual campeã do carnaval carioca, a utilização de uma impressora 3D de grande porte — considerada uma das maiores em operação no Brasil — representa uma iniciativa inédita no carnaval nacional. No espaço, profissionais produzem peças cenográficas, adereços e elementos de fantasias a partir de arquivos digitais, garantindo precisão industrial, controle técnico e repetibilidade.
A tecnologia utilizada é a FDM (Fused Deposition Modeling), método em que filamentos plásticos são aquecidos e depositados camada por camada até formar a peça final. O processo já é comum em setores como a indústria automotiva, a arquitetura, a prototipagem e a medicina. “Em áreas mais avançadas, esse mesmo princípio já se estende inclusive a impressões com matéria orgânica. O conceito é o mesmo — o que muda é o material”, explicou a equipe responsável.
O laboratório trabalha com ABS, plástico resistente, leve e reciclável. Segundo a escola, o alto nível de detalhamento é uma das principais vantagens técnicas do modelo produtivo. “As máquinas operam com tolerâncias de décimos de milímetro, permitindo reproduzir texturas, volumes e padrões com extrema fidelidade ao projeto original”, informou a agremiação.
Outro destaque é a agilidade. Uma peça com cerca de 1,10 metro de altura pode ser produzida em aproximadamente 24 horas — tempo significativamente menor do que o necessário em processos tradicionais de escultura e acabamento manual.
Para o presidente Almir Reis, o projeto aponta para o futuro do carnaval e gera ganhos diretos de custo e eficiência.
“A gente deixa de gastar com resina, pintura, isopor, papel carne seca e uma série de acabamentos”, afirmou. Ele acrescenta que profissionais antes empregados nessas etapas podem ser direcionados para funções que exigem maior atuação artística, como a produção de adereços.
O artista Kennedy Prata, líder da equipe de esculturas da Beija-Flor, avalia que a tecnologia atua como aliada dos profissionais.
“As máquinas reproduzem esculturas com exatidão em grandes quantidades e permitem que os artistas se dediquem às peças maiores, mais autorais e mais artísticas”, destacou.
Sustentabilidade como diferencial
Além da eficiência, o laboratório também representa um avanço ambiental. O processo de impressão 3D reduz o desperdício de material e permite que, após o carnaval, as peças produzidas em ABS sejam trituradas e transformadas novamente em filamento, retornando como matéria-prima para novas esculturas dentro de um modelo de economia circular.
Segundo o carnavalesco João Vitor Araújo, o impacto da tecnologia é percebido diretamente na qualidade do desfile. As peças ficam mais leves e apresentam acabamento com um nível de precisão difícil de alcançar apenas com técnicas manuais.
Ele ressalta ainda que a estética concebida no projeto digital chega à avenida sem distorções, reforçando o potencial da inovação para elevar o padrão visual do espetáculo.
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