A Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) vai criar o Observatório Social das Cotas, uma iniciativa voltada ao acompanhamento, monitoramento e sistematização de informações sobre o acesso, a permanência e a trajetória acadêmica dos estudantes beneficiados pelas políticas de ações afirmativas na instituição.
A nova estrutura será oficialmente instituída por meio de uma ordem de serviço e deverá iniciar suas atividades nos primeiros dias de julho. O objetivo é produzir dados, fortalecer pesquisas e contribuir para o aprimoramento das políticas de inclusão no ensino superior.
Segundo o pró-reitor de Políticas e Assistência Estudantis da Uerj, Daniel Pinha, o observatório pretende reunir pesquisadores de diferentes áreas para ampliar a produção de conhecimento sobre a realidade dos estudantes cotistas.
A seleção da equipe inicial será realizada por meio de edital. Posteriormente, a universidade abrirá uma nova chamada para que pesquisadores da instituição possam integrar a iniciativa e contribuir com estudos já em andamento.
“A proposta é articular pesquisas que já existem na universidade e construir uma rede de produção de conhecimento voltada às políticas de cotas e assistência estudantil”, explicou o pró-reitor.
Monitoramento da permanência estudantil
Além de avaliar o acesso dos estudantes às vagas reservadas pelas ações afirmativas, o observatório terá como foco a permanência dos alunos na universidade, analisando desafios relacionados à assistência estudantil, condições socioeconômicas e desempenho acadêmico.
A iniciativa surge em um contexto de crescente debate sobre a necessidade de garantir não apenas o ingresso dos estudantes cotistas no ensino superior, mas também condições adequadas para a conclusão da formação universitária.
Parceria com a Alerj
A criação do Observatório Social das Cotas foi construída em parceria entre a Pró-Reitoria de Políticas e Assistência Estudantis da Uerj e a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), presidida pela deputada estadual Dani Monteiro (PSOL).
Ex-aluna da universidade e beneficiária da política de cotas, a parlamentar destacou que a iniciativa busca produzir evidências e avaliações capazes de aperfeiçoar as ações afirmativas adotadas pela instituição.
Segundo Dani Monteiro, o observatório terá a missão de identificar obstáculos enfrentados pelos estudantes cotistas, desde o ingresso até a permanência na universidade, contribuindo para a formulação de políticas públicas mais eficazes.
Avanços das ações afirmativas
A deputada ressaltou que as políticas de cotas promoveram mudanças significativas no perfil das universidades públicas brasileiras, ampliando o acesso de estudantes negros, indígenas, pessoas de baixa renda e outros grupos historicamente excluídos do ensino superior.
Ela lembrou que, antes da implementação das ações afirmativas, a presença de estudantes negros e indígenas nas universidades era reduzida, assim como a participação desses grupos no corpo docente das instituições.
Para Dani Monteiro, as cotas contribuíram para democratizar o acesso ao ensino superior e ampliar a diversidade nos espaços acadêmicos, beneficiando tanto estudantes racializados quanto alunos de baixa renda.
Preparação para renovação da legislação
A expectativa é que os dados produzidos pelo Observatório Social das Cotas também auxiliem nos debates sobre a renovação da legislação estadual que regulamenta as ações afirmativas no Rio de Janeiro.
Segundo a deputada, a intenção é chegar ao processo de revisão da norma, previsto para 2028, com informações consolidadas, estudos técnicos e participação social capazes de fortalecer e ampliar os direitos garantidos pela política de cotas.
A nova estrutura também deverá contribuir para a produção científica sobre inclusão social, permanência estudantil e equidade no ensino superior, consolidando a Uerj como uma das referências nacionais no desenvolvimento e acompanhamento de políticas afirmativas.
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