O Instituto Butantan confirmou que dará continuidade ao estudo clínico da vacina contra a dengue em andamento na Região Sul do Brasil, mesmo após a suspensão temporária da aplicação do imunizante na população. A pesquisa busca aprofundar o conhecimento sobre a segurança e a eficácia da vacina, especialmente entre idosos e pessoas que nunca tiveram contato com o vírus da dengue.
A continuidade dos estudos já havia sido mencionada pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante entrevista coletiva realizada nesta semana, quando anunciou a interrupção preventiva da vacinação para investigação de casos específicos de reações adversas graves.
O estudo clínico foi iniciado em janeiro e está sendo conduzido em quatro centros de pesquisa localizados na Região Sul, área escolhida devido à baixa incidência histórica da dengue.
A maior parte das vagas para voluntários é destinada a pessoas com idade entre 60 e 79 anos. Os pesquisadores pretendem analisar como esse grupo reage ao imunizante e comparar os resultados com os obtidos em estudos anteriores realizados com adultos mais jovens.
Entre os principais objetivos está a avaliação da produção de anticorpos após a vacinação, além do monitoramento da segurança do imunizante em uma população que, em grande parte, não teve contato prévio com a doença.
Testes serão realizados durante um ano
As atividades da pesquisa ocorrerão ao longo de 12 meses em centros localizados nas cidades de Porto Alegre, Pelotas e Curitiba.
Durante esse período, os participantes passarão por avaliações clínicas e laboratoriais que permitirão aos pesquisadores acompanhar a resposta imunológica gerada pela vacina e identificar eventuais efeitos adversos.
Suspensão ocorreu após investigação de reações graves
A aplicação da vacina foi suspensa preventivamente após o registro de casos pontuais de reações adversas graves, incluindo dois óbitos que passaram a ser investigados pelas autoridades sanitárias e pelos pesquisadores envolvidos no desenvolvimento do imunizante.
Segundo o Instituto Butantan, a interrupção temporária faz parte dos protocolos de segurança adotados em estudos e programas de vacinação, permitindo uma análise detalhada das ocorrências antes da retomada da imunização em larga escala.
Confiança na retomada da vacinação
O diretor do Instituto Butantan, Ésper Kallas, afirmou que a investigação segue critérios científicos rigorosos e que a instituição mantém confiança no potencial da vacina como ferramenta importante no combate à dengue.
De acordo com ele, a retomada da vacinação dependerá da conclusão das análises e da avaliação técnica dos dados coletados durante o processo investigativo.
“A vacinação poderá ser retomada, mas isso dependerá dos resultados obtidos e da análise criteriosa das informações. Nossa confiança permanece baseada na ciência e na importância da vacina para o enfrentamento da dengue”, destacou o especialista.
Combate à dengue
A continuidade dos estudos clínicos é considerada estratégica para ampliar o conhecimento sobre o imunizante e garantir que futuras decisões relacionadas à vacinação sejam fundamentadas em evidências científicas sólidas.
A dengue segue sendo um dos principais desafios de saúde pública do país, especialmente em períodos de maior circulação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença. Por isso, pesquisadores e autoridades sanitárias reforçam a importância de manter ações de prevenção, vigilância epidemiológica e desenvolvimento de novas tecnologias para reduzir os impactos da enfermidade na população.
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