A Prefeitura de Vitória intensificou as ações de prevenção ao trabalho infantil e à exploração sexual de crianças e adolescentes com mais uma edição do projeto Vozes que Crescem e Vínculos que Libertam. A iniciativa foi realizada na Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Rita de Cássia, no bairro Resistência, reunindo estudantes nos turnos da manhã e da tarde para atividades educativas e de conscientização.
Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), o projeto surgiu a partir das demandas identificadas pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti), vinculado ao Serviço de Proteção e Atendimento Especializado a Famílias e Indivíduos (Paefi). O objetivo é fortalecer a prevenção em comunidades com maior incidência de violações de direitos.
Levantamento realizado pela Semas aponta que o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) Maruípe concentrou 69 casos de trabalho infantil no primeiro trimestre de 2026, distribuídos entre 52 famílias. O número representa cerca de 65% das ocorrências registradas no município.
Os casos acompanhados envolvem principalmente crianças e adolescentes moradores dos bairros Bonfim, Tabuazeiro, Maruípe, Santos Dumont, Mangue Seco, Andorinhas, Joana D’Arc, Santa Martha, Nova Palestina e Redenção. Entre as atividades identificadas estão serviços de frete e vendas informais.
Na região atendida pelo Creas Centro, foram registrados 30 casos, com predominância de situações de mendicância envolvendo crianças e adolescentes. Já o Creas Bento Ferreira contabilizou sete ocorrências, concentradas entre adolescentes de 14 a 17 anos, relacionadas principalmente a atividades ilícitas, além de trabalho doméstico e comercial.
De acordo com a Secretaria de Assistência Social, o levantamento reforçou a necessidade de ampliar ações preventivas dentro das escolas e promover uma atuação integrada entre os setores da assistência social, educação e demais órgãos da rede de proteção.
A secretária municipal de Assistência Social, Carla Scardua, destaca que o projeto fortalece a atuação conjunta dos serviços públicos na identificação precoce de situações de risco, garantindo o encaminhamento adequado aos órgãos responsáveis e o acompanhamento das famílias.
Segundo a gerente de Proteção Social Especial de Média Complexidade da Semas, Fabíola Calazans, o projeto foi implantado como experiência piloto em 2024 e apresentou resultados positivos. Em 2025, foram realizadas 28 ações que envolveram 764 participantes. Para este ano, o cronograma prevê novas atividades até outubro, ampliando o alcance da iniciativa em diferentes regiões da capital.
A expectativa é que o fortalecimento das ações educativas contribua para reduzir os casos de trabalho infantil e ampliar a proteção de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
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