O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o fortalecimento do Mercosul como instrumento de integração política, econômica e social durante discurso na 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, realizada nesta terça-feira (30), em Assunção, no Paraguai.
Segundo o presidente, o bloco representa um espaço estratégico para a cooperação entre os países sul-americanos em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas e crescente polarização.
Durante sua participação, Lula anunciou a intenção do Brasil de ampliar a contribuição financeira ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), mecanismo destinado ao financiamento de obras de infraestrutura e projetos de desenvolvimento regional. A proposta prevê um aporte brasileiro de US$ 100 milhões por ano durante uma década para viabilizar uma nova etapa do programa.
O presidente destacou que, desde sua criação, o fundo financiou centenas de projetos voltados à construção de rodovias, ferrovias, redes de transmissão de energia e sistemas de saneamento básico, contribuindo para reduzir desigualdades entre os países integrantes do bloco.
Ao abordar os resultados econômicos do Mercosul, Lula ressaltou o crescimento do comércio regional nas últimas décadas. Segundo ele, as trocas comerciais entre os países-membros passaram de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para mais de US$ 50 bilhões em 2025, enquanto o intercâmbio comercial com o restante do mundo alcançou cerca de US$ 760 bilhões no último ano.
Antes do pronunciamento, o presidente brasileiro prestou solidariedade às vítimas dos terremotos registrados recentemente na Venezuela e defendeu maior cooperação entre os países da região para enfrentar situações de emergência.
No campo ambiental, Lula alertou para os impactos previstos do fenômeno El Niño e afirmou que os desafios impostos pelas mudanças climáticas exigem atuação coordenada entre os países do Mercosul. O presidente também citou temas como transição energética, saúde pública, transformação digital e combate ao crime organizado como prioridades para a integração regional.
Outro ponto destacado foi o potencial da região na produção de energia limpa e na exploração de minerais considerados estratégicos para a economia de baixo carbono e para o desenvolvimento tecnológico. Segundo Lula, a cooperação poderá fortalecer cadeias produtivas e ampliar a soberania econômica dos países do bloco.
Durante o discurso, o presidente também defendeu o fortalecimento da democracia, o enfrentamento à desinformação e a ampliação de políticas voltadas à proteção de grupos vulneráveis, incluindo povos indígenas, afrodescendentes, pessoas com deficiência, idosos, crianças e a comunidade LGBTQIA+.
Na área da segurança pública, Lula reforçou a necessidade de ampliar a cooperação entre os países no combate ao crime organizado transnacional, defendendo maior integração entre os sistemas policial, judicial e financeiro.
Ao encerrar sua participação, o presidente destacou que o fortalecimento do Mercosul depende da ampliação do diálogo entre os países, da diversificação das parcerias internacionais e da preservação da autonomia regional diante das transformações do cenário global.
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