O Ministério Público Federal (MPF) denunciou dois policiais rodoviários federais pelos crimes de homicídio qualificado e tentativa de homicídio qualificado em razão da morte do adolescente Lorenzo e dos disparos contra outro jovem durante uma operação realizada no Complexo do Chapadão, na zona norte do Rio de Janeiro, em outubro de 2022.
Segundo a denúncia, Lorenzo e outro adolescente trabalhavam como entregadores de uma lanchonete da região e retornavam do expediente em uma motocicleta quando foram abordados por policiais rodoviários federais. Após serem revistados, os dois teriam sido liberados para seguir viagem.
O MPF afirma que, pouco depois, ao passarem por uma viela da comunidade, os adolescentes foram alvo de disparos efetuados pelos policiais.
De acordo com a investigação, não houve uma nova ordem de parada nem confronto armado que justificasse o uso da força. O órgão sustenta que os adolescentes estavam desarmados, trafegavam de costas para os agentes e percorriam uma passagem estreita, sem possibilidade de fuga ou de proteção.
Lorenzo foi atingido por um disparo na parte de trás da cabeça e morreu no local. O outro adolescente conseguiu escapar.
A denúncia destaca ainda que policiais rodoviários federais que participaram da operação relataram que os dois agentes denunciados efetuaram disparos. Além disso, exame pericial de balística apontou que um fragmento encontrado na cena era compatível com as armas utilizadas pelos acusados.
A ação ocorreu poucas horas após o assassinato do policial rodoviário federal Bruno Vanzan Nunes, vítima de um roubo seguido de morte. Na ocasião, cerca de 20 agentes da Polícia Rodoviária Federal participaram de uma operação no Complexo do Chapadão em busca de suspeitos envolvidos no crime.
Segundo o procurador da República Eduardo Benones, responsável pelo caso, a operação foi realizada sem ordem formal de missão, sem briefing e sem relatório operacional. O MPF também aponta que a atuação teria ultrapassado as atribuições constitucionais da Polícia Rodoviária Federal.
Em nota, a Polícia Rodoviária Federal informou que instaurou procedimento administrativo para apurar a conduta e a eventual responsabilidade dos policiais envolvidos na operação.
A corporação acrescentou que solicitou acesso aos autos da investigação conduzida pelo Ministério Público Federal e aguarda o compartilhamento das informações para dar continuidade às apurações internas.
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