Entidades de proteção animal e ativistas realizaram neste domingo (14) uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, para pedir o fim da exportação de animais vivos no Brasil. O ato ocorreu em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp) e integrou uma mobilização nacional voltada à conscientização sobre os impactos da atividade.
Os participantes defendem a substituição do transporte de animais vivos pela exportação de carne processada, alegando que a medida reduziria o sofrimento animal e minimizaria riscos ambientais e sanitários.
Movimento critica condições de transporte
Segundo os organizadores, o transporte de animais vivos para outros países expõe bovinos e outras espécies a condições consideradas inadequadas de bem-estar.
Entre as principais críticas estão o confinamento prolongado durante o trajeto, a superlotação nos caminhões e navios, além da exposição contínua a resíduos orgânicos produzidos pelos próprios animais.
Os manifestantes afirmam que essas condições podem provocar estresse, ferimentos e problemas de saúde durante as longas viagens realizadas até os países importadores.
Defesa da exportação de carne processada
Representantes do movimento destacam que a reivindicação não busca interromper as exportações do agronegócio brasileiro, mas alterar a forma como os produtos são comercializados internacionalmente.
A proposta defendida pelos ativistas é que o país exporte apenas carne refrigerada ou congelada, agregando valor à produção nacional e eliminando a necessidade do transporte de animais vivos.
Segundo os participantes do ato, essa mudança poderia gerar benefícios econômicos ao ampliar o processamento da carne em território brasileiro, além de reduzir questionamentos relacionados ao bem-estar animal.
Riscos ambientais e sanitários também são alvo de críticas
Outro ponto levantado pelos manifestantes envolve os impactos ambientais da atividade.
Os ativistas argumentam que acidentes envolvendo embarcações que transportam animais vivos podem causar danos significativos ao meio ambiente. Casos de naufrágios registrados em diferentes países ao longo dos últimos anos são frequentemente citados por organizações que defendem restrições à prática.
Além disso, os grupos apontam possíveis riscos sanitários relacionados ao transporte de grandes quantidades de animais por longos períodos.
Projetos de lei tramitam no Congresso
Durante a mobilização, representantes do movimento lembraram que existem propostas em tramitação no Congresso Nacional que tratam da exportação de animais vivos.
Entre elas está o Projeto de Lei nº 3.093/2021, que propõe a proibição da exportação de animais vivos para fins de abate. Outras iniciativas discutem medidas de controle mais rigorosas ou a criação de mecanismos de tributação para a atividade.
Os defensores das mudanças cobram maior avanço das propostas legislativas e uma ampliação do debate sobre o tema no país.
Setor produtivo defende atividade
Por outro lado, representantes do setor pecuário argumentam que a exportação de animais vivos atende demandas específicas de mercados internacionais e segue protocolos sanitários e de transporte estabelecidos pelos órgãos competentes.
A atividade movimenta parte da cadeia pecuária brasileira e mantém relações comerciais com diversos países, especialmente do Oriente Médio e do Norte da África.
O debate sobre a continuidade ou restrição da prática envolve questões econômicas, sanitárias, ambientais e de bem-estar animal, tema que continua gerando discussões entre produtores, autoridades e organizações da sociedade civil.
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