O Brasil apresenta avanços importantes no acompanhamento nutricional e na redução da fome entre crianças e adolescentes. Os resultados ganham destaque no Dia Nacional da Saúde e Nutrição, celebrado em 31 de março, e refletem a atuação de políticas públicas articuladas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), aliadas ao fortalecimento de sistemas de monitoramento como o Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN).
O alcance do monitoramento nutricional na primeira infância cresceu de forma expressiva nos últimos anos. Em 2022, cerca de 6,2 milhões de crianças com menos de cinco anos foram acompanhadas na Atenção Primária à Saúde. Já em 2025, dados preliminares indicam que esse número subiu para 7,9 milhões, evidenciando a ampliação da cobertura dos serviços públicos.
Além do aumento no acompanhamento, os indicadores de má nutrição também apresentaram melhora. A taxa de magreza acentuada caiu de 2,8% para 1,8%, enquanto a obesidade infantil recuou de 6,4% para 5,7% no mesmo período. Os dados, compilados pelo Ministério da Saúde com base no SISVAN, devem ser consolidados oficialmente em junho de 2026.
A redução da fome entre crianças e adolescentes segue a mesma tendência. O monitoramento da segurança alimentar, realizado em parceria entre o MDS e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utiliza a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) aplicada à PNAD Contínua. Em 2024, 3,6% das pessoas de 0 a 17 anos viviam em domicílios com insegurança alimentar grave, uma queda em relação aos 4,8% registrados em 2023.
Em números absolutos, o país saiu de aproximadamente 2,5 milhões de crianças e adolescentes em situação de fome grave em 2023 para 1,8 milhão em 2024, uma redução de quase 30% em apenas um ano. Trata-se do menor nível já registrado desde o início da série histórica, em 2004.
Esse cenário está diretamente ligado à combinação de políticas públicas voltadas à transferência de renda, acesso à alimentação e acompanhamento em saúde, reunidas no Plano Brasil Sem Fome. Entre as iniciativas, destaca-se o Benefício Primeira Infância, vinculado ao Bolsa Família, que desde março de 2023 garante o pagamento mensal de R$ 150 a famílias com crianças de até seis anos, alcançando cerca de 9 milhões de beneficiários.
Também há um adicional de R$ 50 mensais destinado a crianças e adolescentes de 7 a 17 anos, contemplando aproximadamente 15 milhões de pessoas nessa faixa etária.
Estudos da Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome apontam impactos concretos dessas medidas. Entre crianças que apresentavam baixa estatura em 2019, 77% atingiram altura adequada em 2023. No mesmo período, 64% das que estavam com magreza passaram a ter peso adequado, e 57% das que tinham sobrepeso ou obesidade também alcançaram padrões considerados saudáveis.
A alimentação escolar segue como um dos pilares dessa estratégia. Em fevereiro de 2026, os repasses do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) foram reajustados, com aumento médio de 14%, somando-se à ampliação anterior, registrada em 2023, que variou entre 28% e 35%.
Atualmente, o programa atende cerca de 38 milhões de estudantes da rede pública em todo o país, incluindo 7,6 milhões de crianças na educação infantil.
Os dados também evidenciam o papel das escolas na segurança alimentar. Em 2024, 8% das crianças e adolescentes de 5 a 17 anos matriculados em creches ou escolas estavam em situação de insegurança alimentar moderada ou grave. Entre aqueles fora do ambiente escolar, o índice chegava a 16%, o dobro.
Para especialistas, os avanços reforçam a importância de políticas públicas integradas. Segundo Valéria Burity, secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome do MDS, garantir renda, alimentação adequada e acompanhamento em saúde gera impactos diretos no desenvolvimento infantil.
“Quando as famílias têm acesso à renda e as crianças são acompanhadas por serviços de saúde e educação, os resultados aparecem. Há melhora no estado nutricional, redução da fome e avanços no desenvolvimento. O combate à má nutrição no Brasil depende justamente dessa integração de políticas públicas desde a primeira infância”, afirma.
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