Documentos históricos do antigo prédio do Departamento de Ordem Política e Social começaram a ser transferidos nesta terça-feira (31) para o Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro, no centro do Rio de Janeiro.
A medida atende a uma recomendação do Ministério Público Federal e busca garantir a preservação de um acervo considerado fundamental para a memória da ditadura militar no Brasil.
Condições precárias motivaram ação
A recomendação foi emitida após vistorias identificarem condições inadequadas de armazenamento no imóvel histórico. Segundo o procurador Julio Araujo, havia documentos guardados de forma irregular.
De acordo com ele, materiais estavam em sacos plásticos, espalhados pelo chão e sem identificação adequada, o que comprometia sua conservação.
A transferência, segundo o MPF, é essencial para garantir a integridade dos registros e o acesso público a informações sensíveis da história brasileira.
Grupo de trabalho organizou acervo
A iniciativa é resultado de uma atuação conjunta envolvendo diferentes órgãos, como a Polícia Civil, o Ministério dos Direitos Humanos, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Aperj e o Instituto Estadual do Patrimônio Cultural.
Esse esforço levou à criação do Grupo de Trabalho Dops, responsável pela organização inicial dos documentos, incluindo materiais que registram perseguições políticas, violações de direitos humanos e práticas de tortura durante o regime militar.
Patrimônio e memória
O antigo prédio do Dops, localizado na Rua da Relação, foi tombado como patrimônio cultural brasileiro em 2025, reforçando sua importância histórica.
A expectativa de movimentos sociais é que o espaço seja transformado em um memorial dedicado às vítimas da repressão estatal. Por suas dependências passaram nomes como Nise da Silveira, Abdias Nascimento e Olga Benário, entre outros perseguidos políticos.
Acesso e preservação
Com a transferência para o Aperj, o acervo passa a contar com condições técnicas adequadas de conservação, catalogação e futura disponibilização para consulta pública.
Para o MPF, a iniciativa fortalece o direito à memória, à verdade e à informação, além de contribuir para que violações do passado não se repitam. A ação também reafirma o compromisso institucional com a transparência e a preservação da história, elementos considerados fundamentais para o fortalecimento da democracia no país.
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