Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que a desigualdade salarial entre homens e mulheres é significativamente menor nas entidades sem fins lucrativos do que nas empresas privadas e na administração pública.
Os dados fazem parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre), que reúne informações sobre empresas, órgãos públicos e organizações sem fins lucrativos em atividade no país. Em 2024, o Brasil registrou 10,6 milhões de organizações ativas, responsáveis por empregar cerca de 68 milhões de pessoas.
De acordo com o estudo, o rendimento médio mensal foi de R$ 3,9 mil. Quando analisado por gênero, os homens receberam, em média, R$ 4,2 mil, enquanto as mulheres tiveram remuneração média de R$ 3,9 mil. Na prática, o salário masculino foi 16,6% superior ao feminino.
Entre as organizações sem fins lucrativos, as mulheres receberam, em média, R$ 3.589,82, enquanto os homens ganharam R$ 3.768,81. Isso significa que a remuneração feminina correspondeu a 95,3% da masculina, o menor nível de disparidade identificado pelo levantamento.
Essa categoria engloba instituições como fundações privadas, organizações sociais, sindicatos, condomínios e entidades religiosas.
Segundo a gerente de Análise e Disseminação do IBGE, Caroline Santos, o resultado pode estar relacionado à forte presença feminina em áreas como assistência social, saúde e serviços sociais.
A pesquisadora destaca ainda que essas organizações podem adotar práticas mais voltadas à igualdade na composição de seus quadros profissionais, embora o tema exija estudos mais aprofundados.
Nas empresas privadas, a desigualdade salarial foi mais acentuada. As mulheres receberam, em média, R$ 2.996,79, enquanto os homens tiveram rendimento médio de R$ 3.838,67.
Nesse segmento, o salário feminino representou apenas 78,1% do valor pago aos trabalhadores do sexo masculino, configurando a maior diferença entre as categorias analisadas.
Nos órgãos da administração pública, que abrangem as esferas federal, estadual e municipal, além dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, as mulheres receberam remuneração média de R$ 4.967,51. Já os homens tiveram rendimento médio de R$ 6.058,19.
Para Caroline Santos, a concentração de mulheres em áreas como educação e saúde, tradicionalmente menos remuneradas em comparação a cargos de liderança e funções estratégicas, ajuda a explicar parte dessa diferença.
Desde julho de 2023, está em vigor a Lei 14.611, conhecida como Lei de Igualdade Salarial, que determina remuneração igual para homens e mulheres que exerçam a mesma função.
Mesmo com a legislação, fatores como menor participação feminina em cargos de comando e interrupções na carreira relacionadas à maternidade continuam influenciando a diferença salarial observada no mercado de trabalho.
O Cadastro Central de Empresas mostrou ainda que o país contabilizava, em 2024, cerca de 9,5 milhões de empresas, 1,1 milhão de entidades sem fins lucrativos e 59,4 mil instituições públicas.
Em relação a 2022, houve crescimento de 12,5% no número de organizações ativas e aumento de 8,4% na quantidade de pessoas ocupadas, refletindo a expansão da atividade econômica e do mercado de trabalho no período.
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