O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou nesta sexta-feira (29), em Montes Claros (MG), o Acelen Agripark, centro de tecnologia e inovação agroindustrial da empresa Acelen Renováveis. O espaço será dedicado à pesquisa e ao desenvolvimento da macaúba, planta brasileira considerada estratégica para a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Verde (HVO).
Com investimento de R$ 314 milhões — dos quais R$ 258 milhões foram financiados pelo BNDES — o centro integra o projeto de biocombustíveis da companhia, que prevê aporte inicial de US$ 3 bilhões. O plano inclui ainda a construção de uma biorrefinaria na Bahia e o cultivo da macaúba em áreas degradadas de Minas Gerais e da Bahia. A expectativa é produzir 1 bilhão de litros de SAF por ano a partir de 2028, com geração estimada de 85 mil empregos em toda a cadeia produtiva, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Durante a cerimônia, Lula destacou o papel pioneiro do Brasil nos biocombustíveis e reafirmou a meta de liderança global na transição energética. “O Brasil será o campeão mundial nessa transformação, mostrando ao mundo que não tem volta”, disse.
O projeto faz parte do Novo PAC e está alinhado ao Programa País do Brasil junto ao Fundo Verde do Clima. Também integra a Lei do Combustível do Futuro, sancionada em 2024, que estabelece metas obrigatórias de descarbonização a partir de 2027 e cria previsibilidade para investimentos no setor aéreo e de transportes.
Segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a produção de macaúba no Brasil tem o menor custo do mundo e será essencial para viabilizar a nova matriz energética. “Criamos mandato para o diesel verde e vamos plantar 180 mil hectares de macaúba em Minas e na Bahia”, afirmou.
O CEO da Acelen Renováveis, Luiz de Mendonça, destacou a importância do Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), que suspende tributos para viabilizar grandes projetos. Já o prefeito de Montes Claros, Guilherme Guimarães, celebrou a chegada do empreendimento como vetor de desenvolvimento regional sustentável.
O centro atuará na pesquisa genética da macaúba, no desenvolvimento de protocolos de cultivo e em processos industriais para aumentar a eficiência da produção de óleo vegetal. A primeira extração industrial da planta foi realizada em 2025.
Além disso, foi lançado o Programa Valoriza, voltado à inclusão produtiva de agricultores familiares e produtores locais. Na primeira fase, serão cultivados 36 mil hectares, com previsão de atingir 180 mil hectares até 2026, produzindo 1 milhão de toneladas anuais de frutos frescos.
A macaúba é considerada até dez vezes mais produtiva que a soja na geração de óleo por hectare. O SAF e o diesel verde derivados dessa planta podem reduzir em até 80% as emissões de CO2, reforçando a posição do Brasil como protagonista na transição energética global.
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