Pesquisadores e empresas da China estão desenvolvendo uma nova geração de interfaces cérebro-computador com o objetivo de tornar os implantes mais simples e menos invasivos. A tecnologia permite captar sinais produzidos pelo cérebro e convertê-los em comandos para computadores e outros equipamentos.
O movimento ocorre enquanto o governo chinês estimula o crescimento de empresas nacionais capazes de disputar espaço no mercado internacional de neurotecnologia, atualmente marcado pela atuação de empresas como a Neuralink.
As chamadas BCIs podem ter aplicações médicas importantes, principalmente para pessoas com paralisia ou outras limitações motoras. A expectativa é que, com o desenvolvimento da tecnologia, alguns pacientes possam controlar dispositivos sem depender diretamente de movimentos físicos.
Uma das pesquisas em andamento é conduzida pela StairMed Technology, startup sediada em Xangai.
A empresa trabalha em um sistema que pretende levar o implante até o cérebro por meio dos vasos sanguíneos. O acesso seria feito pela região do pescoço, seguindo uma técnica semelhante à utilizada em procedimentos cardiovasculares.
A proposta é reduzir a necessidade de cirurgias mais invasivas para posicionar o dispositivo.
O projeto é desenvolvido em parceria com pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências. Até agora, a abordagem passou por testes em ovelhas, ainda sem aplicação clínica ampla em seres humanos.
Em Pequim, o Hospital Xuanwu iniciou testes clínicos em seres humanos com uma tecnologia baseada em implante vascular.
Nesse caso, o dispositivo é colocado em vasos sanguíneos do cérebro, especificamente em estruturas chamadas seios venosos durais.
O objetivo é estabelecer uma conexão capaz de registrar sinais cerebrais e permitir que eles sejam utilizados para controlar sistemas externos.
O médico Duan Wanru, que coordena a pesquisa, afirmou que o procedimento pode ser concluído em aproximadamente 10 minutos por um profissional com experiência de alguns anos em cirurgia.
De acordo com o pesquisador, os testes realizados até agora não apresentaram problemas graves de segurança. A possibilidade de retirada do dispositivo após cerca de um mês também está entre as características estudadas.
Outra pesquisa semelhante foi desenvolvida pela Universidade de Nankai, que informou ter realizado o primeiro teste desse tipo em seres humanos em 2025.
A expansão das pesquisas chinesas ocorre em meio a uma estratégia governamental para fortalecer a presença do país no mercado de interfaces cérebro-computador.
As autoridades estabeleceram como objetivo desenvolver duas ou três empresas com capacidade de competir internacionalmente até 2030.
A tecnologia ainda está em fase de desenvolvimento e precisa passar por avaliações clínicas mais amplas antes de uma eventual adoção em larga escala.
Para a medicina, uma das principais possibilidades é ampliar a autonomia de pessoas com paralisia. Se os sistemas demonstrarem segurança e eficiência, poderão permitir que sinais cerebrais sejam utilizados para operar computadores, equipamentos assistivos e outras tecnologias.
O desafio dos pesquisadores é encontrar soluções que combinem precisão na leitura dos sinais cerebrais, segurança durante a implantação e facilidade de remoção ou substituição dos dispositivos.
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