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Astrônomo brasileiro registra formação de anéis em tempo real em corpo do Sistema Solar

Descoberta inédita liderada por pesquisador do Observatório Nacional revela sistema de três anéis e disco de poeira em torno de Chiron, entre Saturno e Urano.

redação Por redação
14/10/2025 - 15:41
em Tecnologia
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Astrônomo brasileiro do Observatório Nacional registra em tempo real a formação de anéis em Chiron, entre Saturno e Urano. Descoberta inédita revela sistema dinâmico com três anéis e disco de poeira.

Imagem:Agência Gov

Uma equipe internacional de astrônomos, liderada pelo brasileiro Chrystian Luciano Pereira, pós-doutorando do Observatório Nacional (ON/MCTI), testemunhou pela primeira vez a formação e evolução em tempo real de um sistema de anéis em um pequeno corpo do Sistema Solar: o centauro (2060) Chiron.

A descoberta, publicada na revista científica The Astrophysical Journal Letters, confirma que Chiron possui três anéis densos, um disco de poeira difuso e uma estrutura tênue a cerca de 1.400 km de distância — evidências de que os anéis estão em pleno processo de formação e transformação.

Chiron: um centauro em metamorfose

Com cerca de 200 km de diâmetro, Chiron orbita o Sol entre Saturno e Urano e há décadas é apontado como candidato a possuir anéis, por causa de sua atividade cometária e de assinaturas de material adicional detectadas em observações anteriores.

 

Até então, os dados eram inconclusivos — alguns estudos sugeriam jatos de gás e gelo, enquanto outros indicavam cascas de poeira. Mas observações recentes, realizadas durante uma ocultação estelar em 10 de setembro de 2023, confirmaram de forma inédita a presença dos anéis.

Durante o fenômeno, quando Chiron passou diante de uma estrela distante, a luz foi parcialmente bloqueada por múltiplas estruturas ao redor do corpo principal, permitindo o mapeamento detalhado do sistema.

“Conseguimos observar o processo de formação acontecendo diante de nós — é como assistir um sistema de anéis nascer”, explica Chrystian Pereira, líder do estudo.

Anéis recentes formados por ejeção de material

A análise dos dados revelou três anéis confinados e densos, localizados a 273 km, 325 km e 438 km do centro de Chiron. Além deles, há um disco difuso que se estende por centenas de quilômetros e uma estrutura externa mais tênue.

Comparando registros de 2011, 2018, 2022 e 2023, os pesquisadores concluíram que o disco de poeira se formou recentemente, possivelmente após uma grande ejeção de material em 2021.

“O material ejetado parece estar se acomodando gradualmente no plano equatorial do corpo, moldado por forças gravitacionais e colisões — um elo perdido da formação de anéis”, explicam os autores.

Pesquisa global e destaque brasileiro

A descoberta só foi possível graças a uma campanha coordenada pelo professor Felipe Braga-Ribas (UTFPR e ON), com observações em 31 locais da América do Sul. Os dados mais precisos vieram do telescópio de 1,6 m do Observatório do Pico dos Dias (LNA/MCTI), em Brazópolis (MG).

O trabalho integra o projeto internacional Lucky Star, liderado por Bruno Sicardy, do Observatório de Paris, e reúne astrônomos profissionais e amadores de diversos países.

Além do Observatório Nacional, participaram pesquisadores do LIneA, UTFPR, UFRJ e UNESP. O estudo também é um desdobramento da tese de doutorado de Chrystian Pereira, que recebeu menção honrosa na Reunião da Sociedade Astronômica Brasileira (SAB), realizada em setembro, em Caxambu (MG).

Novo marco na astronomia dos anéis

Com a descoberta, Chiron se torna o quarto pequeno corpo do Sistema Solar conhecido por possuir anéis — junto de Chariklo (2014), Haumea (2017) e Quaoar (2023).

Os resultados reforçam que os anéis não são exclusivos de planetas gigantes como Júpiter e Saturno, e mostram que estruturas semelhantes podem surgir em corpos muito menores, moldadas por eventos dinâmicos e recentes.

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Tags: #Astronomia#Ciênciaanéis planetáriosChironChrystian Pereiradescoberta astronômicaLucky StarMCTIObservatório NacionalSistema Solar
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