O Sistema Único de Saúde (SUS) ampliou, a partir desta terça-feira (4), a oferta de atendimento em saúde mental para pessoas com dificuldades relacionadas a jogos e apostas. O serviço passa a disponibilizar até 100 mil teleatendimentos por mês, garantindo acolhimento, orientação e acompanhamento profissional de forma remota, gratuita e sigilosa.
A iniciativa também contempla familiares e busca facilitar o acesso ao cuidado psicológico, funcionando como porta de entrada para a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o atendimento virtual ajuda a reduzir barreiras que impedem muitas pessoas de procurar ajuda.
“Muitas vezes, as pessoas não procuram ajuda por vergonha ou estigma. Com o autoteste e o teleatendimento, elas podem identificar sinais de risco e se sentir mais à vontade fazendo esse atendimento em casa, pelo celular”, afirmou.
O atendimento é realizado por meio do aplicativo Meu SUS Digital. Após acessar a plataforma com a conta Gov.br, o usuário deve entrar na área “Miniapps” e selecionar a opção destinada ao atendimento para pessoas com problemas relacionados às apostas.
Antes da consulta, é realizado um autoteste que identifica possíveis sinais de risco. Em seguida, o cidadão é direcionado à plataforma da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), onde aceita os termos de uso, preenche um formulário sobre sua situação e agenda o atendimento.
Após a confirmação, o paciente recebe o link da videochamada, orientações para a consulta e lembretes sobre o horário do atendimento.
As sessões são realizadas por videochamada, têm duração aproximada de 50 minutos e, em geral, acontecem semanalmente.
Inicialmente, o paciente pode participar de até dez consultas com profissionais de psicologia. Ao término desse ciclo, uma nova avaliação definirá se haverá alta, continuidade do acompanhamento remoto ou encaminhamento para atendimento presencial na rede pública.
Além do atendimento virtual, pessoas com problemas relacionados às apostas também podem buscar apoio nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Atualmente, o Brasil conta com 3.120 unidades do CAPS em funcionamento.
O Ministério da Saúde orienta que alguns comportamentos podem indicar dependência em jogos e apostas, como alterações no sono, ansiedade, irritabilidade quando não é possível jogar, dificuldade para interromper as apostas, sentimento de culpa, prejuízos financeiros e problemas nas relações familiares e profissionais.
Também merece atenção o hábito de esconder o comportamento, mentir sobre as apostas ou utilizar os jogos como forma de enfrentar situações de estresse, ansiedade ou frustração.
Além do teleatendimento, o governo federal mantém a Plataforma Centralizada de Autoexclusão, desenvolvida em parceria entre os ministérios da Saúde e da Fazenda, que permite o bloqueio voluntário do CPF nas plataformas de apostas autorizadas.
Mais de um milhão de brasileiros já utilizaram a ferramenta. Entre os principais motivos informados estão a perda de controle sobre o jogo, decisão pessoal de interromper as apostas, dificuldades financeiras e recomendação de profissionais de saúde.
Durante o período da Copa do Mundo, entre 11 de junho e 19 de julho, cerca de 388 mil pessoas solicitaram o bloqueio do CPF, número que corresponde a 38% de todas as autoexclusões registradas pela plataforma.
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