O Ministério da Saúde anunciou a incorporação de uma nova tecnologia ao Sistema Único de Saúde (SUS) que promete ampliar a capacidade de diagnóstico de recém-nascidos prematuros, principalmente em regiões remotas do país. Trata-se de um leitor óptico desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), capaz de estimar a idade gestacional e a maturidade pulmonar do bebê a partir da análise da pele do pé.
A adoção da tecnologia foi validada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A portaria que oficializa a inclusão foi publicada na quinta-feira (12), e o Ministério da Saúde terá prazo de até 180 dias para iniciar a distribuição dos dispositivos na rede pública.
O equipamento, chamado PreemieTest, é utilizado logo após o nascimento. O exame é feito com uma pequena sonda posicionada no pé do bebê, que analisa as propriedades da pele neonatal. Em poucos segundos, o dispositivo fornece informações importantes para apoiar decisões clínicas iniciais, como a necessidade de suporte respiratório, internação em terapia neonatal ou encaminhamento para unidades hospitalares com maior capacidade de atendimento.
O teste é indolor, não utiliza radiação e não substitui o acompanhamento médico ou o pré-natal, mas funciona como ferramenta complementar para auxiliar profissionais de saúde na avaliação rápida do recém-nascido.
Segundo dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc), entre 2024 e 2025 foram registrados mais de 487 mil nascimentos prematuros no Brasil, o que corresponde a cerca de 12,3% do total de nascidos vivos no período.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o investimento em tecnologias nacionais fortalece a ciência brasileira e amplia o acesso da população a diagnósticos mais rápidos e precisos.
“Investir em ciência e inovação no Brasil é garantir que o conhecimento produzido se transforme em soluções reais para a população. Essa tecnologia ajuda a qualificar a assistência aos recém-nascidos e apoia as equipes de saúde logo nos primeiros momentos de vida”, destacou.
Importância para áreas remotas
A nova tecnologia é especialmente relevante em situações em que não houve acompanhamento pré-natal adequado ou quando informações como a data da última menstruação da gestante são desconhecidas ou pouco confiáveis.
O dispositivo permite que equipes de saúde tomem decisões rápidas sobre os cuidados necessários ao bebê, sobretudo em locais de difícil acesso, onde ocorrem partos domiciliares ou atendimentos realizados por parteiras.
Além de estimar a idade gestacional, o PreemieTest também ajuda a identificar a necessidade de internação em UTI neonatal, uso de ventilação mecânica e risco de síndrome do desconforto respiratório.
Tecnologia testada em diferentes regiões
O leitor óptico foi testado em diversas regiões do Brasil, incluindo territórios indígenas da Amazônia, em estudos realizados em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai).
As experiências conduzidas em Distritos Sanitários Especiais Indígenas demonstraram a viabilidade do uso do equipamento em áreas remotas, além de boa aceitação pelas equipes de saúde.
O desenvolvimento da tecnologia contou com investimentos do Programa de Desenvolvimento do Complexo Industrial da Saúde (Procis), iniciativa do Ministério da Saúde voltada à transformação de pesquisas científicas em soluções aplicáveis no SUS.
A expectativa é que a incorporação da ferramenta fortaleça a capacidade de diagnóstico precoce da prematuridade e contribua para reduzir complicações e melhorar o cuidado aos recém-nascidos em todo o país.
Compartilhe esta reportagem do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram


