O Sistema Único de Saúde (SUS) terá uma ampliação na oferta de medicamentos trombolíticos utilizados no atendimento de emergências cardiovasculares e neurológicas. A medida foi oficializada nesta quarta-feira (2), após a sanção de uma lei pelo presidente da República, e prevê maior disponibilidade desses medicamentos na rede pública, incluindo Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192).
Os trombolíticos podem ser utilizados, conforme avaliação médica, para dissolver coágulos que impedem a circulação adequada do sangue. O tratamento pode ser indicado em casos de Infarto Agudo do Miocárdio (IAM) e de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico, situações em que a rapidez no atendimento é fundamental para reduzir o risco de morte e de sequelas.
A nova legislação estabelece medidas para ampliar o acesso à terapia em diferentes regiões do país. De acordo com o Ministério da Saúde, o objetivo é garantir que pacientes possam receber o tratamento com maior rapidez, especialmente em locais onde procedimentos de maior complexidade não estejam disponíveis dentro do período considerado adequado.
Em casos de infarto, por exemplo, o trombolítico pode ser uma alternativa quando a angioplastia, procedimento utilizado para desobstruir artérias, não puder ser realizada a tempo. Nessas situações, o medicamento pode ser administrado enquanto o paciente é encaminhado ou recebe a continuidade do atendimento necessário.
Embora protocolos do SUS já previssem o uso de trombolíticos para infarto e AVC isquêmico em serviços de urgência e emergência, a aquisição dos medicamentos vinha sendo realizada pelos gestores locais. Para ampliar e organizar a oferta nacional, o Ministério da Saúde criou um comitê destinado a acompanhar a implementação das linhas de cuidado para doenças cardiovasculares e cerebrovasculares que dependem de atendimento rápido.
O grupo deverá avaliar a execução das medidas, propor ações para facilitar o acesso aos medicamentos e contribuir para a qualificação do atendimento aos pacientes. Segundo o Ministério da Saúde, a iniciativa também contará com a participação de sociedades especializadas para estabelecer diretrizes e acompanhar a implementação das ações nos estados e municípios.
O Brasil registra entre 300 mil e 400 mil casos de infarto por ano. Em 2025, o SUS contabilizou 292 mil atendimentos relacionados a AVC, sendo 218 mil casos de AVC isquêmico. Nas UPAs, as equipes podem realizar a avaliação do paciente, identificar a necessidade do tratamento e administrar o trombolítico quando houver indicação clínica.
O Samu 192 também pode utilizar os medicamentos em ambulâncias de Suporte Avançado de Vida habilitadas, após avaliação da equipe de saúde. Atualmente, 102 unidades do serviço estão autorizadas a oferecer esse tipo de atendimento. Em 2025, foram registradas 861 aplicações de trombolíticos pelo Samu 192 em todo o país.
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