As doenças não transmissíveis (DNTs), como enfermidades cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas, estão se tornando um dos principais desafios para os sistemas de saúde em todo o mundo. Um relatório divulgado nesta quarta-feira (15) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revela que essas condições afetam cada vez mais pessoas e tendem a crescer significativamente nas próximas décadas.
De acordo com o documento, embora a expectativa de vida tenha aumentado, muitas pessoas estão vivendo por mais tempo com múltiplas doenças crônicas, o que impacta diretamente a qualidade de vida e a capacidade produtiva da população. Esse cenário também eleva os custos dos sistemas de saúde e reduz o retorno econômico dos países.
A OCDE ressalta que grande parte desses impactos poderia ser evitada com políticas eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. Medidas voltadas à redução de fatores de risco, como obesidade, tabagismo, consumo nocivo de álcool e sedentarismo, são apontadas como essenciais para conter o avanço dessas doenças.
Dados apresentados no relatório indicam que, entre 1990 e 2023, a prevalência do câncer aumentou 36%, enquanto a doença pulmonar obstrutiva crônica registrou crescimento de 49%. Já as doenças cardiovasculares apresentaram elevação superior a 27% no mesmo período. Em 2023, uma em cada dez pessoas que viviam em países membros da OCDE tinha diabetes, e uma em cada oito convivia com algum tipo de doença cardiovascular.
O estudo identifica três fatores principais responsáveis pela expansão das DNTs. O primeiro é o aumento expressivo da obesidade, que tem neutralizado avanços obtidos na redução de outros fatores de risco. O segundo é a melhoria nas taxas de sobrevivência, resultado dos avanços da medicina, que permite que mais pessoas vivam por longos períodos com doenças crônicas. O terceiro fator é o envelhecimento populacional, já que a incidência dessas enfermidades é maior nas faixas etárias mais avançadas.
Mesmo que os fatores de risco permaneçam estáveis, o relatório projeta que o número de novos casos de doenças não transmissíveis deverá crescer 31% entre 2026 e 2050 apenas em razão do envelhecimento da população. Além disso, a prevalência de multimorbidade — quando um indivíduo apresenta duas ou mais doenças crônicas simultaneamente — pode aumentar 75% nos países da OCDE, chegando a 70% na União Europeia.
Outro ponto de destaque é o impacto financeiro. A organização estima que os gastos anuais per capita com saúde relacionados às DNTs devem crescer mais de 50%, o que reforça a necessidade de investimentos em políticas públicas voltadas à prevenção e à promoção de estilos de vida saudáveis.
Diante desse cenário, a OCDE enfatiza que ações preventivas não apenas salvam vidas, mas também contribuem para a sustentabilidade dos sistemas de saúde e para o desenvolvimento econômico. O fortalecimento da atenção primária, aliado a campanhas de conscientização e à ampliação do acesso ao diagnóstico precoce, é considerado fundamental para enfrentar o avanço dessas doenças nas próximas décadas.
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