O Brasil apresentou uma expressiva redução nos casos de dengue em 2026. De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Saúde durante a 18ª edição da Expoepi, realizada em Brasília, o país registrou uma queda de 75% nas notificações da doença em comparação com o mesmo período de 2025. O evento é um dos principais espaços de troca de experiências e divulgação de estratégias de vigilância em saúde no Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre janeiro e 11 de abril deste ano, foram contabilizados cerca de 227,5 mil casos prováveis de dengue, número significativamente inferior aos 916,4 mil registros observados no mesmo intervalo do ano passado. A redução mantém a tendência de queda iniciada após o pico histórico de 6,6 milhões de casos em 2024, seguido por 1,7 milhão em 2025.
Durante a abertura do evento, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que, apesar dos avanços, a dengue continua sendo um dos maiores desafios para a saúde pública. Segundo ele, o governo federal tem investido na ampliação de tecnologias e estratégias de prevenção, incluindo o desenvolvimento e a produção de vacinas.
O resultado positivo é atribuído ao fortalecimento da cooperação entre o Ministério da Saúde, estados e municípios. Entre as principais medidas adotadas está a expansão do uso de ovitrampas — armadilhas utilizadas para monitorar a presença do mosquito Aedes aegypti — atualmente presentes em cerca de 1,6 mil municípios, com previsão de alcançar 2 mil até o final de 2026. Também avançam iniciativas inovadoras, como a liberação de insetos estéreis irradiados e a ampliação do método Wolbachia, que reduz a capacidade de transmissão de doenças pelo mosquito, com previsão de implementação em 72 municípios prioritários.
No campo da imunização, mais de 1,4 milhão de doses da vacina contra a dengue já foram aplicadas em crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, público-alvo da estratégia iniciada em 2024. Em 2026, o Ministério da Saúde também passou a ofertar, em caráter piloto, a vacina nacional de dose única desenvolvida pelo Instituto Butantan para pessoas de 12 a 59 anos em três municípios selecionados. Profissionais de saúde também estão sendo imunizados, totalizando mais de 300 mil doses administradas.
Malária registra menor número de casos em quase cinco décadas
Outro destaque apresentado na Expoepi foi a significativa redução da malária. Em 2025, o país alcançou o menor número de registros desde 1979, com queda de 15% em relação ao ano anterior. Houve ainda uma diminuição de 30% nos casos e de 28% nas mortes, que passaram de 54 para 39. Na Terra Indígena Yanomami, os resultados foram ainda mais expressivos, com redução de 22% nas notificações e de 80% nos óbitos.
Esses avanços estão relacionados à ampliação do acesso ao diagnóstico e ao tratamento. Mais de 25 mil pacientes receberam tratamento com tafenoquina, medicamento que também passou a contar com versão pediátrica em 2026. A intensificação da busca ativa de casos e o aumento da oferta de testes rápidos contribuíram para o controle da doença.
Durante o evento, cinco municípios de Rondônia — Porto Velho, Candeias do Jamari, Guajará-Mirim, Itapuã do Oeste e Cujubim — receberam o selo bronze de Boas Práticas na eliminação da malária, reconhecimento concedido às localidades que atendem critérios de excelência em vigilância, diagnóstico, tratamento e controle.
Fortalecimento das ações contra a doença de Chagas
O Ministério da Saúde também anunciou o repasse de R$ 11,7 milhões para reforçar a vigilância entomológica da doença de Chagas em 155 municípios de 17 estados. A iniciativa prioriza áreas com maior vulnerabilidade e visa ampliar o monitoramento de vetores e a resposta rápida a possíveis focos de transmissão.
Entre 2023 e 2025, a distribuição de testes diagnósticos e medicamentos para a doença cresceu mais de 130%, ampliando a capacidade de detecção e acompanhamento dos casos. No mesmo período, a rede de diagnóstico da malária foi fortalecida com a aquisição de 1,15 milhão de testes rápidos, especialmente destinados a regiões de difícil acesso.
Ainda durante a Expoepi, os municípios de Anápolis e Goiânia, em Goiás, foram reconhecidos com o selo bronze de boas práticas pela eliminação da transmissão vertical da doença de Chagas.
Programa Brasil Saudável e metas para 2030
Os resultados apresentados integram as ações do Programa Brasil Saudável, estratégia nacional voltada à eliminação de diversas doenças como problemas de saúde pública até 2030, em alinhamento com a Agenda 2030. Entre os avanços já alcançados estão a certificação da eliminação da filariose linfática em 2024 e da transmissão vertical do HIV em 2025, além da redução de óbitos por aids e da desaceleração do crescimento da sífilis congênita.
O programa está presente em 25 estados, no Distrito Federal e em 207 municípios prioritários. Entre as iniciativas implementadas estão a ampliação do uso de testes rápidos, a incorporação de novas tecnologias diagnósticas, como o duoteste para HIV e sífilis e testes moleculares para tuberculose, além da expansão do acesso ao tratamento, incluindo a tafenoquina em 184 municípios e 16 Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Também foram adotadas medidas como a notificação compulsória de HTLV e hepatite B em gestantes e crianças.
Vacinação nas escolas é reforçada
Durante a abertura do evento, o ministro Alexandre Padilha também anunciou o início de uma nova mobilização de vacinação no âmbito do Programa Saúde na Escola. Em 2025, a estratégia resultou na aplicação de mais de 1,6 milhão de doses de vacinas em ambiente escolar, ampliando o acesso à imunização e fortalecendo a integração entre os setores de saúde e educação.
Para 2026, estão previstos investimentos de R$ 150 milhões destinados à vacinação nas escolas e a outras ações prioritárias do Programa Nacional de Imunizações. A mobilização nacional terá início em 24 de abril e seguirá até 30 de maio, com foco na atualização da caderneta vacinal de crianças e adolescentes.
Expoepi promove intercâmbio de experiências
A Expoepi é reconhecida como um dos principais eventos de vigilância em saúde do país, reunindo gestores, pesquisadores e profissionais do SUS para compartilhar experiências e estratégias bem-sucedidas. Nesta edição, realizada em Brasília, o encontro tem como tema “Saúde e Mudanças Climáticas”, promovendo debates sobre os impactos ambientais na disseminação de doenças e na organização das políticas públicas de saúde.
A programação inclui a apresentação de pesquisas, iniciativas de vigilância epidemiológica e uma exposição educativa dedicada à doença de Chagas, com informações sobre prevenção, diagnóstico e tratamento voltadas tanto para profissionais de saúde quanto para a população.
Compartilhe este reportagem do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram


