Uma pesquisa realizada pelo Hospital A.C. Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus revelou que muitos brasileiros ainda demoram para procurar atendimento médico mesmo ao identificar sintomas que podem estar relacionados ao câncer colorretal.
O estudo, que entrevistou mais de 2 mil pessoas, mostra que a população conhece os principais sinais da doença, como sangue nas fezes e alterações prolongadas no funcionamento do intestino. Ainda assim, parte significativa dos entrevistados opta por esperar a melhora dos sintomas ou recorrer à automedicação antes de buscar avaliação médica.
Entre os participantes, 9% relataram já ter observado sangue nas fezes. Desses, 59% procuraram atendimento imediatamente, enquanto 40% adotaram outras medidas antes da consulta, incluindo esperar a melhora espontânea, utilizar remédios caseiros, comprar medicamentos sem prescrição ou pesquisar informações na internet.
Outro ponto de atenção é o desconhecimento sobre a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO), considerada um dos principais exames para identificar precocemente alterações que podem indicar câncer colorretal.
Segundo o levantamento, dois terços dos entrevistados nunca ouviram falar do exame. Apenas 11% afirmaram já tê-lo realizado.
O desconhecimento é mais elevado entre jovens de 16 a 24 anos, homens, pessoas com menor renda e indivíduos com baixa escolaridade.
Para o oncologista Samuel Aguiar, do A.C. Camargo Cancer Center, sintomas persistentes como sangramento, mudanças no hábito intestinal, dores abdominais frequentes e perda de peso sem motivo aparente devem ser investigados rapidamente.
Ele destaca que exames preventivos, especialmente para pessoas a partir dos 45 anos ou com histórico familiar da doença, são fundamentais para aumentar as chances de cura.
Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar aproximadamente 53.810 novos casos anuais de câncer colorretal entre 2026 e 2028, consolidando a doença como o segundo tipo de câncer mais frequente entre os brasileiros.
Especialistas reforçam que o diagnóstico precoce continua sendo o principal aliado no tratamento, permitindo intervenções mais eficazes e maiores índices de sobrevivência.
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