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Novas recomendações mudam tratamento da tireoide durante a gravidez

Sociedades médicas brasileiras atualizam orientações e deixam de recomendar levotiroxina para gestantes com anti-TPO positivo e tireoide funcionando normalmente.

redação Por redação
29/08/2026 - 09:00
em Saúde
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Novas diretrizes mudam o tratamento da tireoide na gravidez e não recomendam hormônio para gestantes com anti-TPO positivo e função normal.

Imagem:Fotorech/Pixabay/Agência Brasil

Novas evidências científicas levaram as sociedades médicas brasileiras a atualizar as orientações para o acompanhamento das alterações da tireoide durante a gravidez. A principal mudança envolve gestantes que apresentam anticorpos anti-TPO, mas têm a função da tireoide normal.

Nesses casos, o uso preventivo da levotiroxina, hormônio sintético usado no tratamento do hipotireoidismo, deixa de ser recomendado. Três grandes estudos recentes indicaram que o medicamento não reduz o risco de aborto ou parto prematuro quando a gestante tem anticorpos positivos, mas mantém os níveis hormonais dentro da normalidade.

A atualização foi apresentada na última sexta-feira (28), no Rio de Janeiro, durante o 37º Congresso Brasileiro de Endocrinologia e Metabologia. A orientação foi adotada pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia.

As novas recomendações acompanham a diretriz publicada pela Associação Americana da Tireoide em junho deste ano, que atualizou as orientações anteriores, de 2017.

Produzidos pela tireoide, glândula em formato de borboleta na parte anterior do pescoço, os hormônios T3 e T4 regulam o metabolismo. Foto: stefamerpik/Freepik

Anti-TPO positivo não significa hipotireoidismo

O exame anti-TPO identifica anticorpos relacionados à tireoide e pode indicar uma predisposição para o desenvolvimento de alterações na glândula. Porém, um resultado positivo não significa, por si só, que a mulher tenha hipotireoidismo.

Segundo o endocrinologista Cleo Mesa Júnior, subcoordenador do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, se os níveis de TSH e T4 livre estiverem normais, a gestante é considerada eutireoidiana.

Nessa situação, não há benefício comprovado no uso da levotiroxina apenas por causa da presença do anticorpo.

Isso não significa, porém, que o acompanhamento possa ser interrompido. Mulheres com anti-TPO positivo continuam sendo monitoradas durante a gravidez, já que existe maior possibilidade de desenvolver hipotireoidismo ao longo da gestação.

Para quem já tinha hipotireoidismo antes da gravidez, a recomendação permanece: a dose do hormônio costuma ser aumentada em cerca de 30% assim que a gestação é confirmada, com acompanhamento médico.

Rastreamento continua sendo feito no Brasil

Apesar de a nova diretriz internacional defender o rastreamento seletivo, baseado na presença de fatores de risco, o Brasil decidiu manter a recomendação de testar todas as gestantes desde o início da gravidez.

A estratégia busca identificar precocemente as mulheres que realmente precisam de tratamento e evitar tanto diagnósticos tardios quanto o uso desnecessário de medicamentos.

Para Cleo Mesa Júnior, a opção pelo rastreamento universal também considera as dificuldades de acesso e acompanhamento encontradas no sistema de saúde brasileiro.

Entre os principais fatores que aumentam o risco de alterações da tireoide estão histórico de hipotireoidismo ou hipertireoidismo, cirurgia ou tratamento anterior da glândula, doenças autoimunes, histórico familiar de doença tireoidiana, infertilidade, dois ou mais abortamentos e uso de medicamentos que possam interferir no funcionamento da tireoide.

Por outro lado, idade materna, obesidade e número de gestações anteriores deixaram de ser considerados fatores de risco isolados nas novas orientações.

Mudança no tratamento do hipotireoidismo subclínico

Outra alteração importante envolve o chamado hipotireoidismo subclínico. Nesse quadro, o TSH está elevado, mas o T4 livre permanece normal.

Pelas novas recomendações brasileiras, a decisão de iniciar o tratamento quando o TSH está entre 4,0 e 10 mUI/L passa a dar maior importância ao primeiro trimestre da gravidez.

Esse período é considerado especialmente relevante porque, nas primeiras semanas, o desenvolvimento do feto depende mais dos hormônios tireoidianos maternos.

Quando a alteração é identificada somente no segundo ou terceiro trimestre, a orientação geral passa a ser acompanhar a função da tireoide sem iniciar automaticamente a levotiroxina, desde que o TSH não esteja acima de 10 mUI/L.

A avaliação, no entanto, deve ser individualizada. O nível do TSH, o T4 livre e o estágio da gravidez precisam ser considerados antes de qualquer decisão sobre tratamento.

A diretriz internacional também propõe repetir o exame de TSH depois de uma a três semanas em determinadas situações antes de decidir pelo tratamento, já que algumas alterações leves podem desaparecer espontaneamente durante a gravidez. No Brasil, as sociedades médicas optaram por não recomendar que essa espera seja obrigatória.

Segundo Cleo Mesa Júnior, em um sistema de saúde em que nem sempre é possível garantir um retorno rápido da paciente, aguardar algumas semanas pode fazer com que uma eventual janela adequada para o tratamento seja perdida.

As novas orientações também tratam da ingestão de iodo, mineral essencial para a produção dos hormônios da tireoide e cuja necessidade aumenta durante a gravidez e a amamentação.

A Associação Americana da Tireoide recomenda garantir uma ingestão adequada de iodo por meio de suplementação antes mesmo da concepção.

No Brasil, porém, a orientação é que a suplementação seja avaliada caso a caso, especialmente entre mulheres com maior possibilidade de consumir pouco iodo.

A atenção é maior em situações como dietas muito restritivas, alimentação vegana, baixo consumo ou ausência de sal iodado e problemas que prejudiquem a absorção de nutrientes.

O objetivo das novas recomendações é encontrar um equilíbrio entre o diagnóstico precoce e o tratamento de quem realmente precisa, evitando o uso de medicamentos sem benefício comprovado durante a gestação.

As orientações reforçam ainda a importância do acompanhamento pré-natal e da avaliação individual de cada gestante. Nenhuma alteração nos exames deve levar ao início ou à suspensão de medicamentos sem orientação de um profissional de saúde.

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Tags: #Gestantes#Gravidez#Hipotireoidismo#Levotiroxina#PréNatal#SaúdeDaMulher#TireoideendocrinologiagestaçãoSaúde
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