As exportações brasileiras de soja e milho ganharam força nos primeiros sete meses de 2026. De janeiro a julho, os embarques de milho chegaram a 9,8 milhões de toneladas, alta de 10,53% em relação ao mesmo período de 2025.
No caso da soja, foram enviadas ao mercado internacional 82,9 milhões de toneladas, crescimento de 7,8% na comparação com o acumulado do ano anterior.
Os números fazem parte do Boletim Logístico divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) na última sexta-feira (28). O levantamento também mostra como o aumento da movimentação de grãos influenciou os fretes rodoviários em diferentes regiões do país.
Mato Grosso continua como o principal estado produtor de grãos do país e também aparece na liderança no volume de soja e milho destinado às exportações.
Em julho, porém, os fretes rodoviários mato-grossenses ficaram mais baratos na maioria das rotas pesquisadas pela Conab. Das 25 rotas analisadas, 18 tiveram redução nos preços em relação a junho. As variações ficaram entre queda de até 11% e alta de até 4%.
Apesar da redução, a Conab ressalta que os valores continuam partindo de um patamar considerado elevado, influenciado pela movimentação da safra 2025/26.
O cenário também sofre influência do aumento do consumo interno de milho e da expansão da malha ferroviária no estado, que modifica a distribuição da demanda pelo transporte rodoviário.
Em Mato Grosso do Sul, os preços dos fretes também recuaram em várias regiões na comparação mensal. Quando analisado o período de um ano, porém, o movimento é diferente: 15 das 17 rotas pesquisadas apresentaram aumento nas cotações.
Em julho, o transporte de milho foi impulsionado principalmente por viagens de média e longa distância para atender a criação de animais, as indústrias de bioenergia e as cooperativas agroindustriais.
Em Goiás, a maior parte das rotas apresentou queda tanto na comparação com junho quanto em relação ao mesmo período do ano passado.
As condições climáticas influenciaram o ritmo da colheita do milho segunda safra, que avançou de maneira diferente entre as regiões do estado.
No Distrito Federal, todas as rotas analisadas tiveram aumento nos fretes. Em julho, os preços ficaram entre 9% e 32% acima dos registrados no mesmo mês de 2025.
Segundo a Conab, os valores estão relacionados ao avanço da colheita do milho segunda safra e aos custos envolvidos na operação de transporte.
Na Bahia, os preços dos fretes caíram até 8% em julho na maioria das rotas pesquisadas. A redução está relacionada, entre outros fatores, à diminuição dos estoques de soja, movimento comum nesta época do ano, além da queda nas cotações de produtos como o milho.
Mesmo com a redução mensal, alguns valores continuam até 16% acima dos registrados um ano antes. No Maranhão, o pico de movimentação da soja e do milho nos meses anteriores ajudou a reduzir a demanda pelo transporte de cargas agrícolas, contribuindo para a queda dos fretes.
No Piauí, os preços oscilaram entre queda de 12% e alta de 9%, com predominância de redução em julho. O comportamento foi influenciado pela entressafra e por fatores sazonais.
No Paraná, o movimento de cargas em julho foi impulsionado principalmente pela colheita do milho segunda safra.
Na rota entre Campo Mourão e o Porto de Paranaguá, os preços dos fretes subiram cerca de 40%. Além da maior movimentação do milho, as exportações de soja também contribuíram para aumentar a demanda pelo transporte.
Em São Paulo, por outro lado, as principais rotas com destino ao Porto de Santos registraram queda nas cotações durante o mês.
O Arco Norte ganhou destaque no escoamento da produção agrícola brasileira. Entre janeiro e julho de 2026, os portos da região foram responsáveis por 46,12% de todo o milho exportado pelo país.
No caso da soja, o Arco Norte concentrou 39,03% dos embarques. A região também respondeu por 12,28% das exportações brasileiras de farelo de soja.
O Porto de Santos aparece como o segundo principal corredor de saída das duas commodities. Por Santos passaram 22,27% do milho e 35,74% da soja exportados no período. Para o farelo de soja, o porto paulista teve participação ainda maior, com 43,79% dos embarques.
O boletim da Conab também acompanha a entrada de fertilizantes no país. De janeiro a julho, as importações somaram 22,4 milhões de toneladas. O volume representa uma queda de aproximadamente 7,48% em relação ao registrado no mesmo período de 2025.
Os dados mostram como a movimentação das safras influencia diretamente o transporte de cargas no país. O comportamento dos fretes varia conforme o avanço da colheita, a demanda interna, as exportações, os custos operacionais e a disponibilidade de diferentes meios de transporte.
A pesquisa da Conab analisou os principais corredores de escoamento de grãos em dez estados brasileiros.O levantamento completo, com os valores e as variações de cada rota, está disponível no Boletim Logístico de agosto de 2026, publicado pela Companhia Nacional de Abastecimento.
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