O Ministério da Saúde deu mais um passo para ampliar a oferta de procedimentos especializados no Sistema Único de Saúde (SUS). Na última quarta-feira (3), o secretário executivo da pasta, Adriano Massuda, assinou contratos para a compra de 150 novos combos cirúrgicos e 20 tomógrafos, como parte da segunda etapa de distribuição de equipamentos prevista pelo Novo PAC Saúde.
Ao todo, serão entregues 300 combos cirúrgicos e 40 tomógrafos para 185 municípios distribuídos por todos os estados brasileiros. O investimento total chega a R$ 546 milhões e tem como objetivo reduzir filas de espera, ampliar a realização de cirurgias eletivas e modernizar a estrutura tecnológica da rede pública de saúde.
Segundo o Ministério da Saúde, os equipamentos permitirão a realização de aproximadamente 428 mil cirurgias eletivas por ano, fortalecendo a capacidade de atendimento da Atenção Especializada do SUS.
Integração com o programa Agora Tem Especialistas
A iniciativa faz parte da estratégia do programa Agora Tem Especialistas, que busca ampliar o acesso da população a consultas, exames e procedimentos especializados.
A distribuição dos equipamentos inclui mais de 1.700 itens destinados à estruturação de novas salas cirúrgicas em hospitais públicos e instituições filantrópicas. A medida também pretende reduzir desigualdades regionais no acesso aos serviços de saúde e fortalecer a indústria nacional por meio da aquisição de equipamentos produzidos no Brasil.
De acordo com Adriano Massuda, o investimento vai além da construção e reforma de unidades de saúde.
“O objetivo é atualizar o parque tecnológico dos hospitais, policlínicas e demais unidades do SUS, ampliando a capacidade de atendimento especializado em todo o país”, destacou o secretário executivo.
Equipamentos ampliam capacidade cirúrgica
Os combos cirúrgicos destinados à cirurgia geral são compostos por seis equipamentos cada e permitirão ampliar a realização de procedimentos de baixa e média complexidade, como vasectomias, laqueaduras e outras intervenções cirúrgicas.
Já os combos voltados para oftalmologia contam com cinco equipamentos especializados e devem aumentar a oferta de cirurgias de catarata e tratamentos relacionados a doenças oculares de maior complexidade.
Na Região Norte, por exemplo, a expectativa é de um crescimento de até 134% na capacidade de realização de cirurgias oftalmológicas, ampliando o acesso da população a esse tipo de atendimento.
Resultados já aparecem em hospitais beneficiados
Unidades de saúde que já receberam equipamentos registram impactos positivos no atendimento.
No Hospital Municipal Barata Ribeiro, no Rio de Janeiro, a utilização dos novos equipamentos contribuiu para um aumento de 15% no número de cirurgias realizadas. O hospital passou de 294 procedimentos em fevereiro para cerca de 400 em março.
Segundo o diretor das clínicas cirúrgicas da unidade, Marcelo Hubner Neves, os equipamentos trouxeram mais agilidade e segurança para procedimentos, especialmente os ortopédicos, frequentemente realizados em vítimas de acidentes e pacientes idosos.
No Ceará, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) também foi beneficiado com equipamentos oftalmológicos de última geração. De acordo com o chefe do setor de retina da unidade, Felipe Carvalho, os novos aparelhos modernizaram os tratamentos e ajudaram a reduzir filas de espera para procedimentos especializados.
Economia superior a R$ 281 milhões
Além dos benefícios assistenciais, o Ministério da Saúde informou que a compra centralizada dos equipamentos gerou uma economia superior a R$ 281 milhões aos cofres públicos.
O valor representa uma redução de aproximadamente 37,9% em relação ao custo inicialmente estimado para as aquisições.
As entregas dos equipamentos começaram em fevereiro e seguem até o final de junho. Além dos aparelhos, os contratos incluem instalação, treinamento das equipes responsáveis pela operação e garantia estendida de 36 meses, permitindo o uso imediato dos equipamentos nas unidades contempladas.
A expectativa do governo federal é que os investimentos contribuam para acelerar o atendimento especializado, reduzir o tempo de espera por cirurgias e fortalecer a capacidade operacional do SUS em todo o território nacional.
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