O Ministério da Saúde enviou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para Roraima, estado que faz fronteira com a Venezuela. A missão tem como objetivo avaliar a estrutura da rede de saúde local, incluindo hospitais, profissionais, vacinas e outros insumos estratégicos.
Em nota, a pasta informou que está estruturando um plano de contingência para responder a um possível agravamento da crise internacional e a um eventual aumento da demanda de migrantes na região fronteiriça, após ataque conduzido pelo governo dos Estados Unidos. Segundo o ministério, até o momento, o fluxo migratório na região permanece dentro da normalidade.
De acordo com o comunicado, as equipes deslocadas para Roraima possuem ampla experiência em situações de emergência e desastres, e já atuam na identificação das estruturas hospitalares existentes, além da avaliação da possibilidade de ampliação da capacidade de atendimento.
Caso seja necessário, o governo federal informou que poderá instalar hospitais de campanha e expandir unidades já existentes, com o objetivo de minimizar impactos no sistema público de saúde brasileiro.
O Ministério da Saúde também se colocou à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para prestar ajuda humanitária. Entre as possibilidades citadas está o fornecimento de medicamentos e insumos para diálise, já que o principal centro de distribuição da cidade venezuelana de La Guaira teria sido destruído após o ataque.
“Ao reafirmar o papel do SUS como referência internacional, o Ministério da Saúde garante assistência médica integral a todas as pessoas em solo nacional. Para imigrantes em cidades de fronteira, esse direito é assegurado independentemente do status migratório ou da nacionalidade”, conclui a nota.
Entenda o contexto
No sábado (3), diversas explosões foram registradas em bairros da capital venezuelana, Caracas. Durante a ação militar atribuída aos Estados Unidos, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e a primeira-dama, Cilia Flores, teriam sido capturados por forças de elite norte-americanas e levados para Nova York.
O episódio marca mais um capítulo de intervenções diretas dos Estados Unidos na América Latina. A última invasão a um país da região ocorreu em 1989, no Panamá, quando militares norte-americanos capturaram o então presidente Manuel Noriega, acusado de envolvimento com o narcotráfico.
Assim como no caso de Noriega, o governo dos Estados Unidos acusa Maduro de liderar um suposto cartel de drogas conhecido como Cartel de Los Soles, alegação que, segundo especialistas em tráfico internacional, carece de comprovação. Durante o governo do presidente Donald Trump, chegou a ser oferecida uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levassem à prisão do líder venezuelano.
Para críticos da ação, a ofensiva tem motivações geopolíticas, como o afastamento da Venezuela de países considerados adversários estratégicos dos Estados Unidos, a exemplo de China e Rússia, além do interesse no controle das vastas reservas de petróleo venezuelanas, as maiores comprovadas do planeta.
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