Celebrado em 6 de janeiro, o Dia de Reis marca uma das tradições mais antigas e simbólicas da cultura popular brasileira: a Folia de Reis. A manifestação reúne grupos de cantadores e instrumentistas que percorrem ruas e casas entoando versos em homenagem aos três reis magos — Baltazar, Belchior e Gaspar.
Em diferentes regiões do país, os foliões vestem fardas coloridas, utilizam máscaras e realizam danças e cantorias acompanhadas por instrumentos de corda, sanfonas e percussão. Muitas apresentações incluem personagens tradicionais, como reis, palhaços e bastiões, que visitam as casas de devotos levando música, fé e alegria.
No Maranhão, a cidade de Caxias mantém viva a tradição com apresentações de diversos folguedos na Praça da Matriz, como Encanto da Terra, Jacar, Reisado Mirim, Encanto dos Corais, Filomena, os Três Reis Magos e Dona Joaninha. Já em Natal, capital do Rio Grande do Norte, as celebrações começaram ainda na madrugada no Santuário de Santos Reis, com uma sequência de missas e procissão pelas ruas do bairro de Reis Magos.
No Piauí, o Dia de Reis é marcado pelo 26º Festival de Reisado de Boa Hora, que reúne grupos como Boi Maravilha, Boi Estrela e Boi Esperança. As apresentações são avaliadas por uma comissão julgadora, com premiações em dinheiro, seguidas pelo tradicional ritual da morte dos bois, realizado nas casas de pagadores de promessas.
Em Pernambuco, a Folia de Reis ocorre tanto no interior quanto na capital. No Recife, a tradicional Queima da Lapinha — também chamada de Queima da Palhinha — simboliza o encerramento dos festejos natalinos e a abertura do Carnaval, representando renovação e esperança.
Minas Gerais é um dos estados onde a tradição é mais difundida. O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha) já cadastrou mais de 1,6 mil grupos em cerca de 400 municípios, reconhecidos desde 2017 como patrimônio cultural imaterial. Além dos Reis Magos, outras devoções, como o Divino Espírito Santo, São Sebastião, São Benedito e Nossa Senhora da Conceição, também fazem parte das celebrações.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), há processos de reconhecimento em andamento para os Reisados de Pernambuco, as Folias de Reis Fluminenses e as Folias de Reis do Estado de São Paulo. Em Pernambuco, o Reisado já recebeu, em 2022, o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado.
No Rio de Janeiro, levantamentos do Iphan em parceria com a Uerj identificaram Folias de Reis em municípios como Angra dos Reis, Paraty, Petrópolis, Cabo Frio e a capital fluminense. Em São Paulo, a tradição permanece viva principalmente no interior, nas regiões de Ourinhos e Assis, com grupos que preservam elementos simbólicos e identitários transmitidos entre gerações.
De origem portuguesa, a Folia de Reis foi trazida ao Brasil durante o período colonial e ganhou diferentes nomes ao longo do tempo, como Reisado, Terno de Reis, Rancho de Reis e Guerreiros. A prática consiste em louvar os santos, cumprir promessas e arrecadar donativos para ações solidárias.
Para os devotos, o Dia de Reis marca a visita dos três magos ao menino Jesus, em Belém, simbolizando também o encerramento do ciclo natalino. Tradicionalmente, é nessa data que são desmontados presépios, árvores e enfeites de Natal, encerrando um período de fé, celebração e memória cultural que segue vivo em diversas regiões do Brasil.
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