O Ministério da Saúde realizou mais uma rodada de diálogo com representantes das unidades da federação que participam do projeto-piloto de transição do uso da insulina humana (NPH) para a insulina análoga de ação prolongada, a glargina. O encontro, realizado em formato híbrido, teve como objetivo alinhar estratégias para o avanço da iniciativa no Sistema Único de Saúde (SUS).
A reunião foi conduzida pela secretária de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde (SCTIE), Fernanda De Negri, que destacou a importância da articulação entre estados e municípios para garantir uma implementação eficiente e adaptada às realidades locais.
“A transição da insulina NPH para a glargina no SUS depende da participação dos estados e municípios. O Ministério da Saúde está trabalhando em parceria com os gestores locais para planejar e organizar essa mudança de forma segura. Essa atuação conjunta é fundamental para melhorar o atendimento às pessoas com diabetes e ampliar o acesso a tratamentos mais adequados”, afirmou a secretária.
A insulina glargina é caracterizada por sua ação prolongada, podendo atuar por até 24 horas e, na maioria dos casos, requer apenas uma aplicação diária. Esse diferencial facilita o controle dos níveis de glicose no sangue, reduz o risco de episódios de hipoglicemia e oferece mais comodidade aos pacientes.
Na rede privada, o tratamento com a glargina pode custar até R$ 250 para um período aproximado de dois meses. A ampliação de sua oferta no SUS segue recomendações e melhores práticas internacionais para o manejo do diabetes.
Estados participantes do projeto-piloto
Nesta fase inicial, a migração para a insulina glargina está sendo realizada no Distrito Federal, Paraná, Paraíba e Amapá. O projeto prioriza:
- Crianças e adolescentes de até 17 anos com diabetes tipo 1;
- Idosos a partir de 80 anos com diabetes tipo 1 ou tipo 2.
A transição dos pacientes teve início em março e está sendo acompanhada de forma contínua pelas Secretarias Estaduais de Saúde. Após os primeiros meses, o Ministério da Saúde realizará uma avaliação dos resultados para definir um cronograma de expansão para os demais estados do país.
Capacitação de profissionais
Para apoiar a implementação da nova estratégia terapêutica, o Ministério da Saúde promoveu treinamentos destinados a profissionais da Atenção Primária à Saúde e da Assistência Farmacêutica, garantindo o uso adequado do medicamento e a segurança dos pacientes durante o processo de transição.
Articulação institucional
Além dos representantes das unidades da federação, participaram do encontro integrantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), reforçando a governança tripartite do SUS.
Também estiveram presentes os secretários-adjuntos da SCTIE, Eduardo Jorge, e da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (Saps), Ilano Almeida Barreto e Silva, além do diretor do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos da SCTIE, Nélio Cezar de Aquino.
Soberania na produção de insulina
A expansão do uso da insulina glargina no SUS é resultado de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) que envolve o laboratório público Bio-Manguinhos, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), a empresa brasileira de biotecnologia Biomm e a farmacêutica chinesa Gan & Lee. A iniciativa prevê a transferência de tecnologia para o Brasil, fortalecendo a soberania nacional na produção de medicamentos, vacinas e outros insumos estratégicos de saúde.
A autonomia produtiva é considerada essencial diante do cenário de escassez global de insulina, garantindo maior segurança no abastecimento e sustentabilidade ao sistema público de saúde.
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