Os impactos à saúde associados às apostas on-line podem gerar um custo estimado de R$ 30,6 bilhões por ano ao Sistema Único de Saúde (SUS), segundo estudo do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), divulgado no último sábado (19). A estimativa considera despesas relacionadas ao tratamento de problemas como depressão e ansiedade, além dos efeitos associados às mortes por suicídio.
O levantamento aponta ainda que a procura por atendimento no SUS relacionada à dependência de apostas on-line e jogos de azar aumentou 140% nos últimos cinco anos. O crescimento da demanda ocorre em meio à expansão das plataformas de apostas e ao aumento das preocupações sobre os impactos desse tipo de atividade na saúde da população.
Apesar do impacto estimado, apenas 1% da arrecadação das empresas de apostas é destinado ao Ministério da Saúde para ações voltadas aos problemas associados ao setor. O dado chama atenção para a necessidade de estrutura para atendimento de pessoas que apresentam dificuldades relacionadas ao comportamento de apostar.
Diante do aumento da procura, a capacidade do serviço de teleatendimento foi ampliada de 600 para até 100 mil atendimentos por mês. A expansão ocorre em parceria com a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS), com o objetivo de ampliar o acesso da população à orientação e ao acompanhamento especializado.
Outra medida adotada pelo governo federal é a plataforma de autoexclusão, que permite ao usuário solicitar o bloqueio do acesso a sites de apostas autorizados. Segundo os dados divulgados, mais de 5 milhões de CPFs já foram bloqueados nas plataformas regulamentadas por meio do sistema.
Mais de 1 milhão de pessoas também solicitaram a própria exclusão dos sites de apostas. Entre os usuários que recorreram à ferramenta, quase metade declarou apresentar algum problema relacionado à saúde mental associado às apostas, segundo os dados apresentados.
O SUS disponibiliza atendimento psicológico por meio do Meu SUS Digital e também oferece assistência presencial nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). O atendimento não se limita às pessoas que apostam: familiares também podem buscar orientação e acompanhamento quando enfrentam impactos decorrentes da dependência.
A ampliação dos serviços ocorre em um cenário de crescente preocupação com os efeitos das apostas on-line sobre a saúde pública. Além do atendimento aos casos já identificados, as ações de orientação, prevenção e apoio às famílias são apontadas como instrumentos para reduzir os danos associados à dependência de apostas e jogos de azar.
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