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Estudo brasileiro revela que inflamação cerebral é decisiva para o avanço do Alzheimer

Pesquisa da UFRGS publicada na Nature Neuroscience mostra que a interação entre astrócitos e microglia é essencial para que a doença se estabeleça e progrida, abrindo caminho para novas terapias.

redação Por redação
15/11/2025 - 09:57
em Saúde
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Pesquisa liderada pela UFRGS revela que o Alzheimer depende da ativação conjunta de astrócitos e microglia, indicando que a inflamação cerebral é crucial para o avanço da doença. Estudo traz nova perspectiva sobre tratamentos.

Imagem:Louis Reed/ Unsplash

Um estudo liderado pelo laboratório do neurocientista Eduardo Zimmer, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta que o Alzheimer só se instala e progride quando o cérebro está inflamado. A pesquisa, publicada na revista Nature Neuroscience, revela que o acúmulo das proteínas tau e beta-amiloide só desencadeia a reação dos astrócitos — células envolvidas na comunicação neuronal — quando a microglia, responsável pela defesa do cérebro, também está ativada.

Zimmer explica que o acúmulo dessas proteínas forma “grumos insolúveis”, semelhantes a pequenas pedras no cérebro. “Essas duas células [astrócitos e microglia] coordenam a resposta imune do cérebro, e nós já sabíamos que essas pedrinhas fazem com que elas respondam mudando para um estado reativo. Quando essas células estão reativas, o cérebro está inflamado”, afirmou.

Até então, essa comunicação entre astrócitos e microglia havia sido observada apenas em estudos com animais ou em cérebros humanos pós-mortem. A novidade do estudo está na observação desse mecanismo em pacientes vivos, graças ao uso de imagens de última geração e biomarcadores ultrassensíveis.

Dupla ativação é essencial para o Alzheimer avançar

O estudo mostra que a presença da placa beta-amiloide é suficiente para tornar os astrócitos reativos — mas isso não basta para a doença progredir. É preciso que a microglia também esteja ativada. Só quando as duas células estão reativas o astrócito passa a se associar às placas, desencadeando o processo inflamatório que leva ao declínio cognitivo.

“Nesse contexto das duas células ativas, conseguimos explicar a progressão da doença com marcadores de amiloide e tau, chegando a 76% da variância na cognição”, explicou Zimmer.

O que causa o acúmulo das placas?

Segundo o neurocientista, ainda não é possível identificar com precisão o motivo do surgimento das placas beta-amiloides. Sabe-se, porém, que fatores genéticos e ambientais — o chamado expossoma — influenciam significativamente. Quanto mais hábitos saudáveis ao longo da vida, menores as chances de desenvolver Alzheimer.

Entre os fatores de risco, estão:

  • tabagismo;
  • consumo excessivo de álcool;
  • sedentarismo;
  • obesidade.

Por outro lado, práticas que ajudam a prevenir a doença incluem:

  • atividade física regular;
  • alimentação equilibrada;
  • sono de qualidade;
  • estimulação cognitiva.

Nova rota para tratamentos

A pesquisa também aponta para uma mudança na forma como o Alzheimer pode vir a ser tratado. Nos últimos anos, grande parte dos esforços científicos esteve focada em eliminar as placas beta-amiloides do cérebro. Agora, o estudo sugere que isso pode não ser suficiente.

A nova perspectiva indica que será necessário desenvolver terapias capazes de interromper a comunicação entre astrócitos e microglia, reduzindo a inflamação cerebral.

“Além de tirar as ‘pedrinhas’, vamos precisar acalmar esse diálogo entre as duas células”, afirmou Zimmer.

O trabalho recebeu apoio do Instituto Serrapilheira, que financia pesquisas científicas inovadoras no Brasil.

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Tags: #Alzheimer#BetaAmiloide#CiênciaBrasil#InflamaçãoCerebral#NatureNeuroscience#Neurociência#PesquisaBrasileira#SaúdeDoCérebro#Tau#UFRGS
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