Celebrado nesta sexta-feira (17), o Dia Mundial da Hemofilia chama atenção para a importância do diagnóstico precoce como passo essencial no tratamento de distúrbios hemorrágicos. A campanha da Federação Mundial da Hemofilia alerta que mais de três quartos das pessoas com hemofilia no mundo ainda não foram diagnosticadas.
Segundo a entidade, essa lacuna pode ser ainda maior no caso de outros distúrbios de coagulação, o que significa que centenas de milhares de pessoas seguem sem acesso a cuidados básicos de saúde.
O presidente da federação, Cesar Garrido, reforçou o papel central do diagnóstico. “Sem diagnóstico não há tratamento e, sem tratamento, não há progresso”, afirmou ao convocar a comunidade internacional a ampliar a capacidade de identificação da doença.
De acordo com o Ministério da Saúde, a hemofilia é uma condição genética rara que afeta a coagulação do sangue. A doença ocorre quando há deficiência de proteínas essenciais — conhecidas como fatores de coagulação — responsáveis por interromper sangramentos.
Na prática, pessoas com hemofilia podem apresentar sangramentos prolongados, principalmente nas articulações (hemartroses) e nos músculos (hematomas), já que o sangue não coagula adequadamente.
Existem dois tipos principais da doença:
- Hemofilia A: causada pela deficiência do fator VIII
- Hemofilia B: causada pela deficiência do fator IX
A gravidade varia conforme a quantidade desses fatores no sangue, podendo ser classificada como leve, moderada ou grave. Em casos leves, a condição pode passar despercebida por anos.
A hemofilia é, na maioria das vezes, hereditária e ligada ao cromossomo X, o que explica a maior incidência em homens. Mulheres, geralmente, são portadoras, embora casos femininos também possam ocorrer.
Dados do Ministério da Saúde indicam que, em 2024, o Brasil registrou 14.202 pessoas com hemofilia, sendo 11.863 casos do tipo A e 2.339 do tipo B.
No país, a Hemobrás é responsável pela produção de medicamentos hemoderivados distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A empresa destaca que a fabricação nacional, realizada em Goiana (PE), fortalece a autonomia do Brasil no fornecimento desses tratamentos.
Entre os medicamentos oferecidos está o fator VIII, fundamental para pacientes com hemofilia A. Segundo a Hemobrás, a distribuição contínua desses produtos permite controle da doença e melhor qualidade de vida aos pacientes, possibilitando uma rotina mais ativa e segura.
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