O colesterol elevado está entre os principais fatores associados às doenças cardiovasculares e pode representar um risco ainda maior quando não é identificado e controlado adequadamente. Neste sábado (8), Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, especialistas reforçam a importância do acompanhamento desde a infância.
Segundo o vice-presidente do Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Renato Jorge Alves, uma publicação científica de 2025 recomenda que a primeira avaliação dos níveis de colesterol seja realizada aos 10 anos de idade.
A orientação é que o exame seja incluído entre as avaliações preventivas de rotina, juntamente com outros testes, como a dosagem de glicose. A identificação antecipada de alterações permite avaliar os fatores de risco e definir, quando necessário, medidas de acompanhamento e tratamento.
Quando o colesterol está elevado, a recomendação é buscar avaliação profissional e seguir o tratamento indicado. A interrupção por conta própria de medicamentos pode fazer com que os níveis voltem a subir e aumentar o risco cardiovascular.
A alimentação tem papel importante no controle do colesterol, mas mudanças na dieta não substituem o tratamento médico quando há indicação de medicamentos.
A chamada dieta carnívora, baseada praticamente apenas em alimentos de origem animal, não é considerada uma estratégia adequada para controlar o colesterol. Uma alimentação equilibrada deve incluir diferentes grupos de nutrientes e evitar o consumo excessivo de gorduras saturadas.
Carnes vermelhas, embutidos, alimentos ultraprocessados e alguns produtos ricos em gorduras podem contribuir para o aumento do colesterol LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim. Já as gorduras trans, presentes em determinados alimentos ultraprocessados, também devem ser evitadas.
De acordo com o cardiologista, mudanças alimentares costumam produzir uma redução limitada nos níveis de colesterol, já que grande parte da substância é produzida naturalmente pelo organismo.
Quando os níveis são muito elevados, principalmente acima de 300 mg/dL, deve ser investigada a possibilidade de uma condição de origem genética. Nessas situações, mudanças no estilo de vida podem precisar ser acompanhadas de tratamento medicamentoso.
A prática regular de exercícios também faz parte das estratégias de prevenção. A recomendação apresentada pelo especialista é acumular entre 150 e 300 minutos de atividade física por semana.
O sono adequado também merece atenção. Dormir mal pode interferir no metabolismo e favorecer alterações nos níveis de colesterol e triglicérides.
Outro fator associado à saúde cardiovascular é o estresse. Situações de estresse podem contribuir para o aumento da pressão arterial e dificultar o controle de outros fatores de risco.
O processo de aterosclerose, responsável pelo desenvolvimento de placas nas artérias, envolve não apenas o depósito de gordura, mas também mecanismos inflamatórios.
Nos casos em que o colesterol elevado tem origem genética ou quando mudanças no estilo de vida não são suficientes para alcançar as metas estabelecidas pelo médico, medicamentos podem ser necessários.
As estatinas estão entre os principais remédios utilizados para reduzir o colesterol. A dose e a necessidade de associação com outras terapias dependem da avaliação individual do risco cardiovascular.
O tratamento não deve ser interrompido sem orientação médica. Segundo o especialista, as evidências científicas acumuladas ao longo de décadas demonstram benefícios das estatinas na redução de eventos cardiovasculares, como infarto e AVC.
A disseminação de informações incorretas sobre esses medicamentos nas redes sociais é considerada um problema, principalmente quando leva pacientes a abandonar tratamentos prescritos.
Uma atenção especial deve ser dada à hipercolesterolemia familiar, doença genética que pode provocar concentrações muito elevadas de colesterol desde a infância.
Em casos graves, a doença pode causar o aparecimento precoce de problemas cardiovasculares. Por isso, identificar a alteração rapidamente é fundamental para iniciar o acompanhamento e reduzir os riscos ao longo da vida.
A obesidade também está relacionada ao aumento do risco cardiovascular, especialmente quando aparece associada a alterações como diabetes, hipertensão e excesso de gordura abdominal.
Esse conjunto de fatores pode provocar alterações metabólicas e processos inflamatórios que afetam diferentes órgãos e aumentam a possibilidade de complicações.
Na hipercolesterolemia familiar, entretanto, o colesterol elevado decorre principalmente de alterações genéticas e pode ocorrer independentemente da obesidade.
Colesterol alto, hipertensão, diabetes e tabagismo estão entre os principais fatores associados às doenças cardiovasculares. A obesidade também ganhou importância diante do aumento de sua ocorrência na população.
Infarto e acidente vascular cerebral estão entre as principais causas de morte no Brasil e no mundo. Por isso, o controle dos fatores de risco é considerado uma das principais estratégias para reduzir a ocorrência desses eventos.
Doenças inflamatórias crônicas também podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular. Entre elas estão lúpus, HIV, artrite reumatoide e doença inflamatória intestinal.
A prevenção envolve acompanhamento regular, alimentação equilibrada, atividade física, sono adequado e controle dos fatores de risco. Quando necessário, o tratamento medicamentoso deve ser realizado conforme orientação profissional.
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