O Dia Nacional de Prevenção e Controle do Colesterol, celebrado no último dia 8 de agosto, reforça a importância do acompanhamento dos níveis de gordura no sangue e da prevenção de doenças cardiovasculares. Entre as mulheres, o tema merece atenção especial durante a transição para a menopausa e nos anos seguintes.
As mudanças hormonais características desse período podem provocar alterações no metabolismo das gorduras e favorecer fatores associados ao aumento do risco cardiovascular. Por isso, o acompanhamento regular da saúde passa a ter papel importante na identificação e no controle de possíveis alterações.
Apesar de muitas vezes ser relacionado apenas a problemas de saúde, o colesterol é uma substância necessária ao funcionamento do organismo. Ele participa da formação das células, da produção de determinados hormônios e vitaminas e da fabricação dos ácidos biliares, que contribuem para a digestão.
O risco aparece quando os níveis de colesterol no sangue ficam alterados, principalmente quando há excesso de LDL, que pode favorecer o acúmulo de placas nas paredes das artérias.
LDL e HDL têm funções diferentes
O colesterol não circula sozinho pelo sangue. Ele é transportado por estruturas chamadas lipoproteínas, entre as quais estão o LDL e o HDL.
O LDL, conhecido popularmente como colesterol ruim, pode se acumular nas paredes dos vasos sanguíneos quando está elevado. Esse processo pode contribuir para o estreitamento das artérias e aumentar a possibilidade de problemas cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC).
O HDL, por sua vez, é chamado de colesterol bom porque participa do transporte do colesterol presente nos tecidos de volta ao fígado, onde a substância pode ser processada e eliminada pelo organismo.
A redução dos níveis de estrogênio durante a transição menopausal está relacionada a mudanças no metabolismo das gorduras e na distribuição da gordura corporal. Essas alterações podem contribuir para o surgimento de fatores associados à síndrome metabólica e às doenças cardiovasculares.
Depois da menopausa, também pode ocorrer uma mudança desfavorável no perfil lipídico. Entre as alterações observadas estão a elevação do colesterol total, do LDL e dos triglicerídeos, além de uma possível redução do HDL.
Diante disso, o acompanhamento de saúde durante a transição menopausal e após a menopausa deve considerar diferentes fatores de risco, como pressão alta, diabetes, alterações no colesterol e nos triglicerídeos, além do histórico individual e familiar de doenças cardiovasculares.
Ter peso considerado adequado não significa estar livre de alterações no colesterol. A elevação dos níveis pode estar relacionada a fatores genéticos e ao histórico familiar, entre outras condições.
Também estão associados ao aumento do risco cardiovascular fatores como obesidade, diabetes, hipertensão, alimentação com excesso de gorduras saturadas e produtos ultraprocessados, falta de atividade física e tabagismo.
Por isso, a avaliação não deve considerar apenas o peso corporal. O histórico de saúde, os hábitos de vida e os resultados dos exames também são importantes para identificar possíveis riscos.
Uma das principais características do colesterol elevado é que a alteração normalmente não provoca sintomas perceptíveis. A pessoa pode apresentar níveis elevados sem sentir qualquer sinal específico.
Por esse motivo, o acompanhamento periódico e a realização de exames quando indicados por profissionais de saúde são importantes para detectar alterações e avaliar o risco cardiovascular.
Já sintomas como dor ou desconforto no peito, falta de ar ou dor nas pernas durante caminhadas podem estar relacionados a doenças cardiovasculares e precisam ser avaliados por profissionais de saúde.
A proteção da saúde cardiovascular depende de cuidados que podem ser adotados em diferentes fases da vida. O acompanhamento regular permite avaliar pressão arterial, peso, índice de massa corporal (IMC) e circunferência abdominal.
Quando houver indicação profissional, também podem ser solicitados exames para verificar colesterol, triglicerídeos e glicemia, entre outros parâmetros.
A prática regular de atividade física é outra medida importante. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda, para adultos, de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica de intensidade moderada por semana ou de 75 a 150 minutos de atividade vigorosa. A recomendação também inclui exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana.
A alimentação deve priorizar frutas, verduras, legumes e grãos integrais, enquanto o consumo de gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados deve ser reduzido.
Não fumar também faz parte das medidas de prevenção cardiovascular. Quando houver necessidade de tratamento, a orientação é seguir as recomendações dos profissionais de saúde, inclusive quanto ao uso de medicamentos prescritos.
As Unidades Básicas de Saúde (UBS) são a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesses serviços, é possível buscar acompanhamento para prevenção, identificação de fatores de risco e cuidados relacionados à saúde da mulher nas diferentes etapas da vida.
O acompanhamento é especialmente importante durante a transição para a menopausa e depois dela, período em que mudanças hormonais podem estar acompanhadas de alterações metabólicas. A identificação precoce de fatores de risco permite que os cuidados sejam definidos de acordo com as necessidades de cada pessoa.
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