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PF afasta prefeito de Baixo Guandu por suspeita de coação eleitoral e caso aumenta pressão sobre Ferraço

Lastênio Cardoso é investigado por supostamente vincular empregos e serviços públicos ao resultado da eleição para governador; em outra frente, coligação de Pazolini acusa Ferraço e Renato Casagrande de abuso de poder político no TRE-ES

redação Por redação
19/10/2026 - 10:47 - atualizado em 20/10/2026 - 21:03
em Política
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Prefeito afastado no ES: PF investiga suspeita de coação eleitoral em Baixo Guandu

A Polícia Federal deflagrou nesta segunda-feira (19) uma operação para investigar suspeitas de coação eleitoral em Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo. O principal alvo é o prefeito Lastênio Cardoso (MDB), afastado temporariamente do cargo por determinação da Justiça Eleitoral após a divulgação de um vídeo em que teria condicionado a manutenção de empregos e a continuidade de serviços municipais ao resultado da eleição para o governo do Estado.

A operação ocorre a seis dias do segundo turno, disputado entre o governador Ricardo Ferraço (MDB) e Lorenzo Pazolini (Republicanos), e acrescenta um novo elemento de tensão à campanha estadual. Lastênio é apontado como aliado político de Ferraço, mas a investigação divulgada pela Polícia Federal não atribui ao governador participação nas supostas ameaças feitas aos servidores municipais.

Batizada de Operação 1932, a ação teve início após a circulação de um vídeo nas redes sociais, em 10 de outubro. Segundo a Polícia Federal, o investigado teria relacionado a preservação de aproximadamente 700 postos de trabalho, além da continuidade de obras e serviços públicos, ao resultado da votação estadual.

A suspeita é de que a posição de autoridade do prefeito tenha sido utilizada para influenciar a escolha eleitoral de servidores e de pessoas ligadas à administração municipal. A legislação proíbe que agentes públicos recorram à ameaça, ao constrangimento ou à utilização indevida da estrutura administrativa para obter apoio político.

Durante a operação, os policiais cumpriram dois mandados de busca e apreensão, além de uma ordem de busca pessoal. As medidas foram autorizadas pelo Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), após manifestação favorável da Procuradoria Regional Eleitoral.

A Justiça também determinou a suspensão do exercício da função pública de Lastênio Cardoso e proibiu seu acesso às dependências do órgão público. Materiais de propaganda eleitoral foram apreendidos e serão examinados pelos investigadores.

O afastamento é uma medida cautelar, adotada durante a investigação, e não representa condenação do prefeito.

De acordo com a Polícia Federal, são apurados possíveis crimes de coação eleitoral praticada por servidor público e utilização de serviços públicos em benefício de organização política, previstos no Código Eleitoral.

A Prefeitura de Baixo Guandu confirmou à imprensa a existência da investigação. Até as informações disponíveis para esta reportagem, não havia sido apresentada uma manifestação detalhada da defesa do prefeito sobre as suspeitas.

Operação ocorre em momento delicado para Ricardo Ferraço

O episódio ganha dimensão estadual por envolver um prefeito do MDB, mesmo partido de Ricardo Ferraço, às vésperas de uma eleição decisiva.

Ferraço tenta reverter a vantagem conquistada por Lorenzo Pazolini no primeiro turno. Na votação de 4 de outubro, Pazolini recebeu 49,65% dos votos válidos, enquanto o governador obteve 34,06%.

A diferença obrigou Ferraço a buscar novos apoios e ampliar sua mobilização nos municípios capixabas. Nesse contexto, a investigação em Baixo Guandu coloca em discussão os limites da participação de prefeitos, secretários e servidores públicos nas campanhas eleitorais.

Embora a operação tenha como alvo o prefeito Lastênio Cardoso, e não Ricardo Ferraço, a proximidade política entre os dois pode produzir desgaste para a candidatura governista.

A consequência eleitoral, entretanto, não pode ser confundida com responsabilidade jurídica. Para que qualquer irregularidade seja atribuída ao candidato a governador, seria necessário demonstrar sua participação, conhecimento ou eventual benefício juridicamente relevante, conforme as circunstâncias examinadas pela Justiça Eleitoral.

A Polícia Federal não informou, na nota oficial sobre a Operação 1932, que Ferraço seja investigado nesse procedimento.

Casagrande e Ferraço também são alvos de ação eleitoral

O caso de Baixo Guandu surge em meio a outra controvérsia envolvendo a mobilização de servidores públicos na disputa pelo governo estadual.

Em 8 de outubro, a coligação Paz pra Viver um Novo Tempo, formada por Republicanos, PL e Democrata, apresentou ao TRE-ES uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) contra Ricardo Ferraço, o candidato a vice-governador Camillo Neves e o ex-governador e senador eleito Renato Casagrande.

A ação, registrada sob o número 0601865-70.2026.6.08.0000, aponta suspeita de abuso de poder político durante um encontro de lideranças realizado em 7 de outubro, três dias depois do primeiro turno.

Segundo a petição, Casagrande teria orientado gestores municipais a mobilizar servidores ocupantes de cargos comissionados para participar das coordenações de campanha de Ferraço.

A acusação se apoia em um vídeo do encontro, reproduzido na documentação apresentada à Justiça Eleitoral.

Em um dos trechos transcritos, Casagrande afirma que os comissionados dos municípios deveriam se incorporar às coordenações de campanha. Na mesma manifestação, ressalva que a participação deveria ocorrer fora do expediente e sem utilização da estrutura pública.

Para a coligação autora da ação, essa ressalva não elimina a possibilidade de abuso. O argumento é que servidores comissionados, por ocuparem funções de livre nomeação e exoneração, podem sentir-se pressionados quando a convocação política parte de autoridades ou de seus superiores.

A petição sustenta que a mobilização pretendida não seria uma simples convocação de apoiadores, mas uma orientação direcionada a pessoas vinculadas à administração pública.

A acusação também aponta que Ferraço participou do encontro e não teria desautorizado a manifestação de Casagrande.

Essas afirmações integram a argumentação da coligação adversária e ainda dependem de apreciação judicial. A existência da ação não significa que os três representados tenham cometido abuso de poder político.

A documentação encaminhada ao Giro Capixaba corresponde à petição inicial da investigação eleitoral, e não a uma sentença sobre o mérito das acusações.

O limite entre apoio político e pressão sobre servidores

Os episódios levantam uma questão que vai além da disputa entre Ferraço e Pazolini: até que ponto gestores públicos podem envolver servidores em atividades eleitorais?

A participação voluntária de funcionários públicos em campanhas é permitida, desde que respeitadas as restrições legais, especialmente quanto ao horário de trabalho e ao uso de recursos da administração.

A situação muda quando a adesão política é exigida ou estimulada mediante ameaças, constrangimentos ou utilização da autoridade funcional.

Em Baixo Guandu, a Polícia Federal investiga justamente a suspeita de que empregos e serviços municipais tenham sido apresentados como dependentes do resultado eleitoral.

Na ação contra Casagrande e Ferraço, a controvérsia é diferente. A coligação de Pazolini questiona a orientação dirigida a gestores e servidores comissionados, argumentando que a relação hierárquica poderia comprometer a liberdade de participação política.

Ainda Não há, nas informações examinadas, demonstração de que os dois episódios façam parte de uma ação coordenada. Também não é possível afirmar que a operação policial tenha sido motivada pela investigação judicial apresentada contra Ferraço e Casagrande.

A eventual relação entre os fatos dependeria de provas e de apuração pelas autoridades competentes.

Em Vila Velha, outro vídeo recente também passou a ser citado em denúncias sobre possível pressão eleitoral. Sem identificação documental suficiente das circunstâncias e dos envolvidos, o episódio ainda exige verificação independente antes de ser tratado como um caso comprovado.

O que pode acontecer na Justiça Eleitoral

As consequências dos procedimentos dependem da natureza das condutas investigadas e das provas reunidas.

No caso de Baixo Guandu, a investigação policial poderá resultar em responsabilização criminal se forem demonstrados os elementos dos delitos eleitorais apurados.

Já uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral por abuso de poder político pode, em caso de procedência e conforme a responsabilidade individual demonstrada, resultar em sanções como inelegibilidade e cassação de registro ou diploma.

Essas consequências não são automáticas. Dependem de decisão judicial e da análise da gravidade dos fatos, da participação dos envolvidos e dos demais requisitos previstos na legislação.

Para Ricardo Ferraço, a repercussão política é mais imediata. A campanha chega à última semana diante de questionamentos sobre a atuação de aliados e sobre a mobilização de servidores públicos em favor de candidaturas.

Para os investigadores, a prioridade é esclarecer se houve uso indevido da autoridade administrativa para influenciar o voto.

E para o eleitor capixaba, a questão central permanece a mesma: o apoio a qualquer candidato precisa resultar de uma escolha livre, sem que empregos, salários ou serviços públicos sejam utilizados como instrumento de pressão.

Com o segundo turno marcado para domingo, 25 de outubro, a apuração desses episódios deverá continuar além da disputa nas urnas.

Nota da redação: O Giro Capixaba mantém espaço aberto para manifestações e esclarecimentos de todos os citados nesta reportagem, incluindo o prefeito Lastênio Cardoso, o governador Ricardo Ferraço, o ex-governador Renato Casagrande e o candidato a vice-governador Camillo Neves. Eventuais posicionamentos das partes ou de suas respectivas defesas poderão ser incorporados à matéria, garantindo o direito ao contraditório e a apresentação das diferentes versões dos fatos.

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