Durante reunião da Comissão de Assistência Social da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, realizada na última segunda-feira (25), representantes do Instituto Atípica+ solicitaram a criação de uma frente parlamentar voltada à defesa dos direitos das mães e familiares de pessoas neurodivergentes.
A proposta busca fortalecer políticas públicas e garantir o cumprimento de legislações já existentes relacionadas à inclusão, saúde, educação e assistência social para famílias de crianças com condições como Transtorno do Espectro Autista (TEA), Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e dislexia.
Participaram da reunião a presidente do instituto, Tatiane Pontes, a vice-presidente Danielly Lerback e a advogada Juliana Matos, responsável pelo departamento jurídico da entidade.
Criado há cinco meses no município da Serra, o Instituto Atípica+ tem como principal missão oferecer apoio emocional e social às mães cuidadoras, com o lema “cuidar daquelas que cuidam”.
Durante a reunião, Juliana Matos destacou que, apesar da existência de diversas leis voltadas às pessoas com deficiência e neurodivergência, a aplicação prática dessas normas ainda é limitada.
Segundo ela, as políticas públicas relacionadas ao tema são fragmentadas, dificultando a efetividade dos direitos garantidos.
“Vejo a necessidade de que esse tema seja tratado por uma frente parlamentar ou uma comissão única voltada à neurodivergência e inclusão, porque as informações e os trabalhos acabam sendo dispersos e não se tornam efetivos”, afirmou a advogada.
A presidente do instituto, Tatiane Pontes, reforçou a importância de olhar para as mães como parte fundamental da estrutura familiar e do cuidado contínuo das crianças neurodivergentes.
“A nossa frente é cuidar das mães. Quando cuidamos de quem cuida, estamos fortalecendo toda a família e garantindo mais qualidade de vida para essas crianças”, destacou.
A sugestão foi acolhida pela deputada estadual Raquel Lessa, presidente da Comissão de Assistência Social, que também reconheceu a dificuldade na efetivação das leis já aprovadas.
“Nós temos muitas leis, mas precisamos garantir que elas sejam realmente cumpridas. Quando isso não acontece, gera frustração para quem trabalha na elaboração dessas políticas públicas”, declarou a parlamentar.
Campanha do Agasalho beneficia Acacci
Durante a mesma reunião, a comissão realizou a entrega de donativos arrecadados na Campanha do Agasalho para a Associação Capixaba Contra o Câncer Infantil (Acacci).
Foram entregues cobertores, roupas, toalhas de banho e outros itens arrecadados em parceria com a Coordenação de Qualidade de Vida da Assembleia Legislativa.
O presidente da Acacci, Francisco Carlos Gava, explicou que a instituição oferece acolhimento integral para famílias de crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer.
Com sede no bairro Jardim Camburi, em Vitória, a entidade atende pacientes capixabas e também famílias vindas do sul da Bahia e do leste de Minas Gerais.
Além da hospedagem e alimentação, a instituição oferece suporte psicossocial às famílias impactadas pelo tratamento oncológico infantil.
Francisco Gava também chamou atenção para a importância do diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil, que representa uma das principais causas de morte entre crianças e adolescentes.
“Diferentemente do câncer em adultos, o câncer infantojuvenil não pode ser prevenido na maioria dos casos. Por isso, o diagnóstico rápido é fundamental para aumentar as chances de cura”, explicou.
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