A Assembleia de Especialistas do Irã definiu o aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei como novo líder supremo da República Islâmica. Ele assume o posto após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, que governou o país por mais de três décadas.
A escolha foi confirmada neste domingo (8), depois que integrantes do órgão religioso responsável pela sucessão informaram que um nome havia sido aprovado pela maioria dos membros. Inicialmente, o representante da assembleia Mohsen Heidari Alekasir declarou apenas que a decisão já havia sido tomada, sem revelar quem ocuparia o cargo.
Posteriormente, autoridades iranianas confirmaram que Mojtaba Khamenei foi o escolhido para assumir a posição mais poderosa do sistema político do país.
A Assembleia de Especialistas é composta por 88 religiosos eleitos pelo voto popular. Entre suas principais atribuições está a escolha do líder supremo da República Islâmica, autoridade máxima do país, responsável por influenciar diretamente decisões políticas, militares e judiciais.
Apesar de o cargo ser vitalício, o órgão também possui a prerrogativa de destituir o líder caso considere necessário.
Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é o segundo filho de Ali Khamenei. Ao longo dos últimos anos, ele ganhou influência dentro da estrutura de poder iraniana, especialmente por sua proximidade com setores de segurança e com a Guarda Revolucionária.
Nos bastidores da política iraniana, Mojtaba é considerado um aliado das alas mais conservadoras do regime. Ele também se posicionou contra iniciativas de aproximação com países ocidentais e tem defendido a manutenção da estratégia nuclear do Irã.
A escolha do novo líder supremo indica continuidade na linha política adotada durante o governo de seu pai.
Ali Khamenei ocupou o cargo desde 1989 e permaneceu no topo da hierarquia da República Islâmica por 36 anos. No sistema político iraniano, o líder supremo possui autoridade acima do presidente, do Parlamento e do Judiciário, além de influência direta sobre o Conselho dos Guardiões.
Esse conselho é composto por 12 membros responsáveis por supervisionar leis e processos eleitorais no país.
A sucessão ocorre em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. A morte de Ali Khamenei aconteceu após um ataque atribuído aos Estados Unidos no final de fevereiro, episódio que intensificou o conflito envolvendo também Israel.
Autoridades iranianas afirmam que os confrontos e bombardeios já provocaram centenas de mortes civis. Entre os episódios mais graves está um ataque contra uma escola de meninas, que resultou na morte de dezenas de estudantes e ampliou a preocupação internacional com os impactos humanitários da guerra.
A escalada do conflito também elevou o nível das ameaças políticas. Na última quarta-feira (4), o ministro da Defesa de Israel declarou que qualquer novo líder supremo iraniano poderá se tornar alvo de operações militares.
A declaração aumentou ainda mais a tensão em torno da sucessão e reforçou o clima de instabilidade que marca o atual cenário geopolítico na região.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Espírito Santo.
SIGA O DIÁRIO DA GUANABARA NO INSTAGRAM





