A morte da comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa Mattos, provocou forte reação entre deputados estaduais durante sessão plenária realizada nesta semana. O crime, ocorrido na madrugada da aúltima segunda-feira (23), é investigado como feminicídio e tem como principal suspeito o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, companheiro da vítima.
A comoção tomou conta do plenário, onde parlamentares destacaram a trajetória profissional de Dayse, reconhecida pela liderança e dedicação ao serviço público. Deputados como Fábio Duarte, Capitão Assumção, Mazinho dos Anjos e João Coser ressaltaram o comprometimento da comandante com a segurança pública e sua atuação de destaque no Espírito Santo.
A procuradora especial da Mulher na Assembleia Legislativa, deputada Iriny Lopes, manifestou indignação diante de mais um caso de violência de gênero. Em seu pronunciamento, ela criticou o machismo presente na sociedade e destacou que o feminicídio é resultado de uma estrutura que ainda trata mulheres como propriedade.
Segundo a parlamentar, esse tipo de crime representa o desfecho de uma sequência de agressões que começa de forma silenciosa, passando por violência psicológica, patrimonial e isolamento, até chegar ao assassinato. Ela defendeu a necessidade de mudanças profundas na sociedade para romper esse ciclo.
O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, também lamentou o crime e chamou atenção para a persistência da violência doméstica, mesmo diante de discursos de igualdade. Para ele, ainda há um comportamento enraizado que contradiz a ideia de respeito à autonomia feminina.
Durante a sessão, o deputado Denninho Silva lembrou a participação ativa de Dayse em debates sobre segurança pública na Casa. Já a deputada Janete de Sá destacou que Vitória estava há mais de 650 dias sem registros de feminicídio, índice interrompido pelo assassinato da comandante. Ela também alertou para o número de casos no estado, que já soma dezenas de mulheres mortas neste ano.
A deputada Camila Valadão cobrou maior atuação do poder público no enfrentamento à violência contra a mulher. Em sua fala, ressaltou que o problema é recorrente em todo o país e atinge mulheres em diferentes contextos, inclusive aquelas em posições de liderança.
Outros parlamentares, como Sergio Meneguelli, Alexandre Xambinho e Delegado Danilo Bahiense, também prestaram homenagens e solicitaram um minuto de silêncio em memória da vítima.
Além das manifestações de pesar, o debate trouxe à tona a necessidade de políticas públicas mais eficazes. O presidente Marcelo Santos enfatizou a importância de investimentos na saúde mental dos profissionais das forças de segurança, apontando que a pressão da atividade pode impactar diretamente o comportamento desses agentes.
Ele defendeu que, além de melhorias salariais e estruturais, é fundamental garantir acompanhamento psicológico contínuo, tanto para prevenir situações de violência quanto para oferecer suporte adequado aos profissionais.
Durante a fase de comunicações, o tema voltou a ser discutido com mais profundidade. Iriny Lopes reforçou que a legislação brasileira já prevê acompanhamento psicológico para agressores, mas destacou que a mudança real depende do enfrentamento do machismo estrutural.
O deputado Delegado Danilo Bahiense, por sua vez, alertou que o feminicídio não pode ser tratado com omissão e cobrou ações concretas. Ele lembrou que Dayse havia sido homenageada anteriormente por sua atuação no combate à violência doméstica, o que torna o caso ainda mais simbólico.
A morte da comandante também deixou uma criança de sete anos sem a mãe, reforçando o impacto social e familiar desse tipo de crime. Para os parlamentares, o episódio evidencia a urgência de medidas que garantam proteção efetiva às mulheres e combatam a violência de forma estruturada e contínua.
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