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Câmara rejeita cassação e mantém mandato de Carla Zambelli

 Com 227 votos favoráveis — abaixo dos 257 necessários — plenário decide arquivar representação que poderia levar à perda do mandato da deputada, condenada pelo STF a 10 anos de prisão.

redação Por redação
11/12/2025 - 08:38
em Política
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Câmara dos Deputados rejeita cassação de Carla Zambelli. Plenário arquiva representação após não alcançar votos suficientes. Deputada está presa na Itália após condenação pelo STF por invasão de sistemas do CNJ.

Imagem:Lula Marques/ Agência Brasil

A Câmara dos Deputados decidiu, nesta quinta-feira (11), rejeitar a perda de mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Embora 227 parlamentares tenham votado a favor da cassação e 110 contra, com 10 abstenções, o número ficou aquém dos 257 votos exigidos para aprovar a medida. Com isso, a representação da Mesa Diretora contra a deputada foi arquivada.

Zambelli está presa na Itália desde que deixou o Brasil após ser condenada em definitivo pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dez anos de reclusão. A sentença se refere à participação nas invasões aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), operação realizada por hackers que inseriram documentos falsos em plataformas oficiais. O Supremo aguarda sua extradição.

Parecer da CCJ

Na véspera da votação, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) aprovou parecer do deputado Claudio Cajado (PP-BA), recomendando a cassação. Para o relator, o cumprimento da pena em regime fechado torna impossível o exercício do mandato. “Como alguém pode exercer o mandato estando recluso? O mandato exige presença no plenário e nas comissões”, afirmou.

Cajado citou jurisprudência do STF, incluindo o caso do ex-deputado Nelson Meurer, julgado em 2018, para sustentar a incompatibilidade entre prisão em regime fechado e manutenção do mandato parlamentar.

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Condenação por documentos falsos

A 1ª Turma do STF condenou Zambelli não apenas à prisão, mas também ao pagamento de multa e indenização de R$ 2 milhões. Segundo o Ministério Público, em janeiro de 2023 ocorreram 13 invasões nos sistemas do CNJ, com a inserção de 16 documentos falsos, incluindo mandados de prisão, alvarás de soltura e até uma ordem falsa contra o ministro Alexandre de Moraes.

Parecer alternativo e defesa

O relator inicial do processo, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR), havia recomendado a manutenção do mandato, argumentando falta de provas diretas contra a deputada. A CCJ rejeitou seu parecer.

A defesa de Zambelli também contestou a solidez das provas, afirmando que a condenação estaria baseada em depoimentos inconsistentes de Walter Delgatti, que teria alterado seu relato diversas vezes. O advogado Fábio Pagnozzi disse que a deputada teme a cassação porque isso poderia prejudicar sua situação perante a Justiça italiana. “Ela só quer dignidade”, afirmou.

Divergências no plenário

Deputados se dividiram sobre a forma correta de conduzir o caso. Para Jandira Feghali (PCdoB-RJ), a perda do mandato deveria ter sido declarada administrativamente, já que houve condenação definitiva. Já o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), defendeu que o plenário não deveria analisar a cassação, argumentando que a Mesa poderia declarar a perda do mandato em breve, caso Zambelli ultrapasse o limite constitucional de faltas — o que técnicos da Câmara dizem só ocorrerá no fim de fevereiro de 2026.

A líder da Minoria, Chris Tonietto (PL-RJ), rebateu, afirmando que cabe ao plenário a decisão final sobre cassações e que remover Zambelli do cargo perpetuaria uma injustiça.

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Tags: #CamaraDosDeputados#CarlaZambelli
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