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AtlasIntel aponta Pazolini e Flávio Bolsonaro na liderança no ES, mas método digital exige cautela

Levantamento ouviu 1.194 eleitores pela internet e apresenta uma amostra com 28,1% de participantes na categoria “ensino superior”; relatório não detalha taxa de resposta, peso aplicado a cada grupo nem margem de erro dos recortes

redação Por redação
05/09/2026 - 20:52
em Política
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AtlasIntel aponta Pazolini e Flávio Bolsonaro na liderança no ES, mas método digital exige cautela

AtlasIntel: Pesquisa para o governo do ES | Fotomontagem: Agência Fonte Exclusiva.

A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta-feira (3) coloca Lorenzo Pazolini (Republicanos) na liderança da disputa pelo Governo do Espírito Santo e Flávio Bolsonaro (PL) à frente na corrida presidencial entre os eleitores capixabas. Os números, porém, precisam ser analisados com cautela por causa das características do método de coleta e das informações técnicas que não aparecem detalhadas no relatório público.

O levantamento ouviu 1.194 eleitores entre os dias 26 e 31 de agosto de 2026. A margem de erro informada é de três pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.

A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob os números ES-00206/2026 e BR-06459/2026. O registro no Tribunal Superior Eleitoral é uma obrigação legal e permite consultar informações sobre o levantamento, mas não representa uma certificação da Justiça Eleitoral sobre a precisão dos resultados.

Na disputa pelo Palácio Anchieta, Pazolini aparece com 41% das intenções de voto. Ricardo Ferraço (MDB) tem 28,7%, seguido por Helder Salomão (PT), com 18,4%.

Breno Barcelos (Missão) registra 6,8%, enquanto Rafael Demuner (UP) aparece com 0,3%. Os eleitores que não souberam responder representam 3,9% da amostra, e os votos brancos e nulos somam 0,9%.

Resultado para o Governo do ES

  • Lorenzo Pazolini (Republicanos): 41%
  • Ricardo Ferraço (MDB): 28,7%
  • Helder Salomão (PT): 18,4%
  • Breno Barcelos (Missão): 6,8%
  • Rafael Demuner (UP): 0,3%
  • Não sabem: 3,9%
  • Brancos e nulos: 0,9%

Em uma simulação de segundo turno, Pazolini aparece com 46%, contra 39,2% de Ferraço. Nesse cenário, o número de eleitores sem candidato definido cresce: 8% afirmam que votariam em branco ou anulariam o voto, enquanto 6,8% não sabem em quem votar.

Somadas, essas duas parcelas chegam a 14,8%. O percentual mostra que, apesar da vantagem atribuída a Pazolini, ainda existe um grupo relevante que pode alterar o cenário ao longo da campanha.

Disputa presidencial no Espírito Santo

Na sondagem para presidente, Flávio Bolsonaro aparece com 44,5% das intenções de voto no Espírito Santo. Lula (PT) registra 33,6%.

O escritor Augusto Cury (Avante) tem 9%, seguido por Renan Santos (Missão), com 8%. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 2%, Romeu Zema (Novo) tem 1,5% e Samara (UP), 0,4%.

Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) não pontuaram. Brancos e nulos representam 0,5%, enquanto 0,4% disseram não saber em quem votar. Clariana Barão (DC), Edmilson Costa (PCB) e Veterinário Wilson Grassi (Democrata) não foram citados pelos entrevistados.

Resultado para presidente no ES

  • Flávio Bolsonaro (PL): 44,5%
  • Lula (PT): 33,6%
  • Augusto Cury (Avante): 9%
  • Renan Santos (Missão): 8%
  • Ronaldo Caiado (PSD): 2%
  • Romeu Zema (Novo): 1,5%
  • Samara (UP): 0,4%
  • Hertz Dias (PSTU): 0%
  • Rui Costa Pimenta (PCO): 0%
  • Brancos e nulos: 0,5%
  • Não sabem: 0,4%

O percentual de apenas 0,9% entre indecisos, brancos e nulos chama atenção, especialmente porque a campanha ainda não chegou à fase decisiva. Uma explicação possível está no formato estimulado da pergunta, quando os nomes dos candidatos são apresentados ao entrevistado. Esse modelo costuma reduzir o número de pessoas sem resposta, mas não significa necessariamente que quase todo o eleitorado já tenha uma escolha consolidada.

Nas simulações presidenciais de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 53,5%, contra 36,7% de Lula. Brancos, nulos e indecisos somam 9,9%.

Flávio também aparece à frente de Romeu Zema, por 50,1% a 36,3%, e de Ronaldo Caiado, por 50,5% a 36,1%. Em uma disputa entre Lula e Renan Santos, o petista registra 35,9%, contra 33,5%, diferença de 2,4 pontos percentuais, dentro da margem de erro informada para o levantamento. Nesse cenário, 30,6% não escolheram nenhum dos dois nomes.

Como os entrevistados foram selecionados

A AtlasIntel utiliza o método RDR, sigla em inglês para recrutamento digital aleatório. Os participantes são convidados a responder ao questionário durante a navegação em sites e aplicativos, por meio de celulares, computadores e outros dispositivos localizados no Espírito Santo.

Segundo o instituto, as respostas passam por um processo de pós-estratificação. Um algoritmo ajusta o peso dos participantes conforme sexo, idade, escolaridade, renda, região e comportamento eleitoral anterior.

Esse tratamento estatístico busca aproximar a composição final da amostra do perfil do eleitorado. O procedimento pode reduzir desequilíbrios observáveis, mas não elimina automaticamente todos os riscos de viés.

A principal limitação está na origem digital do recrutamento. Mesmo com o avanço da conectividade — o IBGE informa que a internet estava presente em 95% dos domicílios brasileiros em 2025 — possuir acesso não significa navegar com a mesma frequência, encontrar o convite da pesquisa ou ter a mesma disposição para responder.

Eleitores com acesso limitado, pouca familiaridade digital ou menor participação em sites e aplicativos podem ter menos chances práticas de entrar na amostra. Além disso, pessoas que aceitam responder a uma pesquisa política pela internet podem ter comportamento, interesse e opiniões diferentes de eleitores da mesma idade e faixa de renda que ignoram o convite.

A ponderação consegue ajustar variáveis conhecidas, como renda e escolaridade. O problema é que ela não corrige necessariamente diferenças que não foram medidas, como intensidade do interesse político, frequência de navegação, confiança em pesquisas e disposição para participar.

Escolaridade da amostra merece atenção

O perfil publicado pela AtlasIntel informa que 28,1% da amostra está na categoria “ensino superior”. Outros 41,2% aparecem com ensino médio e 30,8% com ensino fundamental.

O percentual de participantes com ensino superior parece elevado quando comparado ao perfil educacional do país. No Censo Demográfico de 2022, 18,4% dos brasileiros com 25 anos ou mais tinham nível superior completo.

A comparação, entretanto, possui uma ressalva importante: o relatório da AtlasIntel não esclarece se a categoria “ensino superior” inclui pessoas que começaram uma graduação, mas ainda não concluíram o curso. O dado do IBGE considera somente quem possui superior completo. Também há diferença entre comparar o eleitorado do Espírito Santo com toda a população brasileira de 25 anos ou mais.

Portanto, os 28,1% não provam, isoladamente, que a pesquisa esteja distorcida. O número, no entanto, reforça a necessidade de o instituto divulgar com mais clareza a definição adotada para cada nível educacional, os parâmetros usados na ponderação e os dados da amostra antes e depois da aplicação dos pesos.

AtlasIntel aponta Pazolini e Flávio Bolsonaro na liderança no ES, mas método digital exige cautela
Pesquisa AtlasIntel no ES: metodologia em xeque | Foto: Agência VIU!.

O que o relatório não detalha

O documento explica, de maneira geral, como funciona o recrutamento digital e informa quais variáveis são usadas na pós-estratificação. Não apresenta, porém, alguns indicadores importantes para uma avaliação externa mais completa.

Entre as informações que não aparecem detalhadas no relatório público estão:

  • quantidade de pessoas que receberam ou visualizaram o convite;
  • número de questionários iniciados e abandonados;
  • taxa de participação ou conclusão;
  • composição bruta da amostra antes da ponderação;
  • peso mínimo e máximo aplicado aos entrevistados;
  • efeito da ponderação sobre a margem de erro;
  • tamanho efetivo da amostra depois dos ajustes;
  • definição exata das categorias de escolaridade;
  • critérios utilizados para identificar e retirar respostas duplicadas ou automatizadas;
  • margem de erro específica dos cruzamentos por idade, renda, escolaridade, religião e região.

Esses dados são relevantes porque os recortes apresentados no relatório possuem menos entrevistados que a amostra total. Dessa forma, resultados divididos por renda, município, religião ou escolaridade têm incerteza maior do que os três pontos percentuais anunciados para o conjunto dos 1.194 participantes.

Entidades internacionais como a WAPOR e a ESOMAR recomendam ampla transparência na publicação de pesquisas de opinião, especialmente nos levantamentos realizados pela internet. O objetivo é permitir que leitores, jornalistas e especialistas avaliem a qualidade e os limites dos resultados.

Margem de erro não cobre todos os riscos

A margem de três pontos percentuais não deve ser interpretada como uma garantia de que o resultado real estará necessariamente dentro desse intervalo. Ela representa uma estimativa de precisão estatística baseada no modelo adotado pelo instituto.

Erros de cobertura, seleção dos participantes, falta de resposta, definição das perguntas e ajustes de ponderação não são resumidos automaticamente pela margem divulgada.

A Associação Americana para Pesquisa de Opinião Pública, a AAPOR, destaca que medidas de precisão em amostras digitais não probabilísticas dependem das premissas do modelo e precisam ser acompanhadas de explicações detalhadas sobre seu cálculo. A entidade também alerta que os ajustes estatísticos nem sempre conseguem eliminar integralmente o viés de seleção.

Isso não torna a pesquisa inútil nem permite afirmar que os números estão errados. Significa apenas que o levantamento deve ser tratado como uma estimativa produzida por determinado método, e não como uma fotografia exata do eleitorado capixaba.

Resultado deve ser acompanhado por outras pesquisas

A AtlasIntel registra uma vantagem expressiva de Pazolini na disputa estadual e de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial dentro do Espírito Santo. Os números são politicamente relevantes, mas ainda representam um retrato de seis dias de coleta e podem mudar conforme a campanha avance.

A leitura mais segura é acompanhar a tendência apresentada por diferentes institutos, com métodos distintos, em vez de transformar um único levantamento em previsão do resultado das urnas.

Pesquisas presenciais, telefônicas e digitais possuem vantagens e limitações próprias. Quando levantamentos independentes começam a apontar movimentos semelhantes, aumenta a confiança de que existe uma tendência real. Quando os resultados divergem, a metodologia, o período de coleta, o questionário e o perfil das amostras precisam ser examinados com atenção.

A íntegra da pesquisa AtlasIntel contém 53 páginas e também apresenta avaliações de governo, rejeição de lideranças, problemas considerados prioritários pela população e comparações entre Pazolini e Ferraço em diferentes áreas da administração pública.

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