A Petrobras anunciou uma mudança na forma de calcular o preço do gás natural comercializado com as distribuidoras. A nova metodologia busca reduzir os impactos das oscilações do mercado internacional e proporcionar maior estabilidade nos reajustes aplicados trimestralmente.
Segundo a estatal, a alteração deverá diminuir significativamente o próximo aumento previsto para 1º de agosto. A estimativa inicial apontava um reajuste de aproximadamente 22%, mas, com a nova fórmula, a alta deve ficar em torno de 6%. A empresa ressalta, no entanto, que o percentual ainda é uma projeção e poderá sofrer alterações.
O novo modelo de precificação foi aprovado pela diretoria da Petrobras na última semana e utiliza um sistema de bandas para o preço do barril do petróleo Brent, principal referência internacional do mercado. A estratégia estabelece limites mínimos e máximos para o cálculo, reduzindo a influência das oscilações bruscas da commodity sobre o valor do gás natural.
De acordo com a companhia, a medida permitirá maior previsibilidade para distribuidoras e consumidores, evitando repasses expressivos em períodos de forte volatilidade internacional.
A Petrobras explicou que a adesão ao novo mecanismo será opcional. As distribuidoras interessadas poderão aderir à nova forma de cálculo por meio de um aditivo aos contratos de fornecimento de gás natural.
A empresa também destacou que o preço cobrado pela Petrobras representa apenas uma parte do valor pago pelo consumidor. O custo final inclui despesas com transporte, tributos, margens das distribuidoras e, no caso do gás natural veicular (GNV), também dos postos de abastecimento. Além disso, as tarifas são reguladas pelas agências estaduais.
A mudança anunciada não afeta o preço do gás liquefeito de petróleo (GLP), conhecido popularmente como gás de cozinha ou gás de botijão.
A decisão ocorre em um cenário de instabilidade no mercado internacional de energia. Desde o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, os preços do petróleo e de seus derivados registram forte volatilidade devido às preocupações com a oferta global, especialmente após interrupções no transporte de cargas pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás.
No Brasil, medidas adotadas pelo governo federal, como incentivos fiscais e subsídios temporários ao setor, também buscam reduzir os impactos dessas oscilações sobre o consumidor final.
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