Os preços da indústria brasileira voltaram a cair em outubro, com recuo de 0,48% em relação a setembro, segundo dados do Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgados nesta sexta-feira (5) pelo IBGE. Essa é a nona queda consecutiva do indicador, que já acumula retração de 4,33% no ano e variação negativa de 1,82% em 12 meses. Em outubro de 2024, o IPP havia registrado alta de 0,97%.
O IPP mede a variação dos preços “na porta da fábrica”, sem considerar impostos ou frete, abrangendo produtos das indústrias extrativas e de transformação. Em outubro de 2025, 11 das 24 atividades investigadas apresentaram quedas de preço, acompanhando o comportamento geral do índice.
As quatro maiores variações negativas ocorreram em outros produtos químicos (-2,00%), perfumaria e produtos de limpeza (-1,89%), metalurgia (-1,80%) e calçados e artigos de couro (-1,60%). Já as maiores influências sobre o resultado vieram de alimentos (-0,36 ponto percentual), produtos químicos (-0,16 p.p.), metalurgia (-0,11 p.p.) e refino de petróleo e biocombustíveis (-0,09 p.p.).
O gerente de análise e metodologia do IPP, Alexandre Brandão, destaca que o acumulado do ano até outubro é o segundo menor da série histórica para o mês, iniciada em 2014. Ele explica que o setor de alimentos tem sido o principal responsável pela queda dos preços. Dos -4,33% acumulados no ano, -2,43 p.p. vêm apenas do segmento alimentício.
Entre os fatores que pressionaram o setor, estão a valorização do real — que, apesar de uma leve depreciação em outubro, acumula apreciação de 11,7% em 2025 — e o período de safra de matérias-primas como cana-de-açúcar, soja e arroz. Outros setores também contribuíram para o movimento, como indústrias extrativas, influenciadas pelos preços internacionais do petróleo e minério de ferro, além de metalurgia e refino de petróleo.
Alimentos têm sexta queda seguida
O setor de alimentos, maior impacto negativo no índice, caiu 1,47% de setembro para outubro, somando seis meses consecutivos de retração. Segundo Brandão, o preço do açúcar VHP continua puxando o resultado, impulsionado pelo pico da safra da cana.
Também influenciaram a queda os preços do leite — devido à maior captação nas bacias leiteiras — e das carnes bovinas frescas, afetadas por menor demanda e descontos pontuais aplicados por frigoríficos.
Produtos químicos têm maior queda do mês
Outros produtos químicos registraram a maior variação negativa do IPP em outubro, com recuo de 2%. O setor tem forte peso no cálculo do índice (7,92%) e exerceu a segunda maior influência no mês.
Já a metalurgia, apesar de figurar entre as maiores influências negativas, registrou alta de 1,80% no mês, seu segundo aumento seguido após oito meses de quedas.
Comportamento por grandes categorias
A variação de preços entre setembro e outubro refletiu da seguinte forma nas grandes categorias econômicas:
- Bens de capital: +0,19%
- Bens intermediários: -0,65%
- Bens de consumo: -0,38%
- Bens duráveis: +0,06%
- Semiduráveis e não duráveis: -0,46%
A maior contribuição negativa veio dos bens intermediários (-0,35 p.p.), seguidos dos bens de consumo (-0,14 p.p.). Já os bens de capital tiveram impacto levemente positivo (0,01 p.p.).
O que é o IPP
O Índice de Preços ao Produtor acompanha mensalmente os preços médios recebidos pelas indústrias brasileiras, servindo como um termômetro antecipado das tendências inflacionárias. A pesquisa coleta aproximadamente 6 mil preços em mais de 2.100 empresas. As tabelas completas estão disponíveis no Sidra, e a próxima divulgação — referente a novembro — ocorre em 16 de janeiro.
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