O Grupo Gennius, responsável pelas marcas Habib’s, Ragazzo e Tendall Grill, entrou com pedido de recuperação judicial após acumular uma dívida de R$ 265,2 milhões. O pedido foi apresentado na última segunda-feira (24) e aceito pela Justiça de São Paulo no dia seguinte.
A recuperação judicial envolve 178 empresas ligadas ao grupo. A medida tem como objetivo reorganizar as finanças e permitir que as operações continuem enquanto a empresa negocia uma forma de pagamento com os credores.
O juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, nomeou a KPMG para atuar como administradora judicial do processo.
Em comunicado, o Grupo Gennius afirmou que a recuperação judicial é uma medida para preservar a sustentabilidade dos negócios. Segundo a empresa, as lojas das marcas continuam abertas e funcionando normalmente.
No processo apresentado à Justiça, o grupo aponta uma combinação de fatores para explicar a crise financeira.Entre eles estão os impactos provocados pela pandemia de covid-19, as mudanças no comportamento dos consumidores com o crescimento dos serviços de delivery e o aumento dos juros.
A redução do movimento em shoppings e regiões comerciais afetou diretamente as unidades físicas. Ao mesmo tempo, a expansão das plataformas de entrega modificou a forma como os clientes fazem pedidos de alimentação.
Outro problema foi o aumento da taxa Selic, que encareceu o custo das dívidas e pressionou o capital de giro das empresas. Apesar das dificuldades, o grupo informou que pretende manter as atividades normalmente durante o processo de recuperação.
O pedido apresentado à Justiça inclui 178 pessoas jurídicas ligadas ao Grupo Gennius.
A estrutura reúne:
- 119 lojas próprias do Habib’s;
- 26 unidades do Ragazzo;
- 6 churrascarias Tendall;
- 10 empresas franqueadoras e holdings;
- 17 sociedades operacionais.
Do total de R$ 265,2 milhões em dívidas declaradas, R$ 22,3 milhões correspondem a débitos trabalhistas. Outros R$ 241,7 milhões estão classificados como créditos quirografários, que são dívidas sem garantias reais, como hipoteca, penhor ou alienação fiduciária.
A KPMG, nomeada administradora judicial, terá 15 dias para apresentar à Justiça um relatório sobre a situação das empresas envolvidas na recuperação.
Durante o processo, os credores também poderão questionar os valores apresentados pelo grupo ou pedir a inclusão de débitos que não tenham sido relacionados inicialmente O Grupo Gennius terá 60 dias para apresentar um plano detalhando como pretende reorganizar as finanças e negociar o pagamento das dívidas.
Se o prazo não for cumprido, a recuperação judicial poderá ser convertida em falência.
Como parte das medidas previstas no processo, a Justiça determinou a suspensão de ações e execuções contra as empresas envolvidas na recuperação judicial. Por outro lado, o pedido do grupo para liberar recebíveis bancários que estavam sendo utilizados como garantia foi negado.
A decisão permite que a empresa tenha um período para reorganizar suas atividades e negociar com os credores dentro das regras da recuperação judicial.
Entre as estratégias apresentadas pelo Grupo Gennius para tentar superar a crise estão uma reorganização societária, a abertura de novas unidades e o fortalecimento das operações de delivery. A empresa pretende direcionar a expansão para mercados considerados promissores e adaptar os negócios às mudanças no comportamento dos consumidores.
Fundado em 1987, o Habib’s ganhou espaço no mercado brasileiro apostando em preços mais acessíveis e grande volume de vendas. Com o passar dos anos, o grupo ampliou sua atuação e passou a controlar outras marcas, como Ragazzo e Tendall Grill, diversificando os segmentos de alimentação em que atua.
Agora, o processo de recuperação judicial será usado para tentar reorganizar as empresas, preservar as operações e encontrar uma solução para os R$ 265,2 milhões em dívidas declaradas.
Compartilhe este conteúdo do Giro Capixaba, o melhor site de notícias do Estado do Espírito Santo.
Siga o GIRO CAPIXABA no Instagram


