A violência contra a mulher continua sendo um dos principais desafios de segurança e justiça no Brasil. Dados divulgados pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) indicam que o país registrou 947 novos casos de feminicídio apenas em janeiro de 2026.
O número representa aumento de 3,49% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 915 registros desse tipo de crime. Apesar de o percentual parecer pequeno, especialistas alertam que o crescimento é constante e acompanha uma tendência de aumento observada nos últimos anos.
Além dos casos de feminicídio, o sistema judicial brasileiro também registra um grande volume de processos relacionados à violência doméstica e familiar contra a mulher. Atualmente, mais de 99 mil ações desse tipo estão em tramitação no Judiciário.
Os dados fazem parte do painel estatístico do Conselho Nacional de Justiça, que reúne indicadores nacionais sobre processos e medidas judiciais relacionadas à violência de gênero.
Quando se observa um período mais amplo, o crescimento se torna ainda mais evidente. Na comparação entre os anos de 2020 e 2025, o número de casos de feminicídio praticamente triplicou, passando de 4.210 registros para mais de 12 mil ocorrências.
Outro indicador que também apresentou avanço significativo é o de medidas protetivas concedidas pela Justiça às vítimas. Em 2025, foram autorizadas cerca de 630 mil medidas protetivas em todo o país. No ano anterior, o número havia sido de aproximadamente 612 mil.
Cinco anos antes, em 2020, esse total era bem menor e não chegava a 287,5 mil medidas concedidas. O crescimento reflete tanto o aumento das denúncias quanto a ampliação do acesso das vítimas aos mecanismos de proteção.
Diante desse cenário, o Conselho Nacional de Justiça promove em todo o país a 32ª edição da Semana Justiça pela Paz em Casa. A iniciativa tem como objetivo acelerar o andamento de processos relacionados à violência doméstica e fortalecer a rede de proteção às vítimas.
Durante o período da mobilização, tribunais intensificam a realização de audiências, julgamentos e análises de pedidos de medidas protetivas de urgência. Também são promovidas ações educativas e atividades de conscientização voltadas ao enfrentamento da violência de gênero.
Entre as iniciativas previstas estão encontros e grupos reflexivos destinados a homens autores de violência, além de campanhas que buscam sensibilizar a sociedade sobre a importância da prevenção e da denúncia.
Especialistas destacam que o combate à violência contra a mulher exige ações integradas entre o poder público, o sistema de justiça, as forças de segurança e políticas de educação e conscientização social.
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