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Prisão de “Waguinho” expõe contraste entre vida pública e acusações no ES

Gilbert Wagner foi capturado no Rio de Janeiro e seguirá preso; defesa nega envolvimento no assassinato de Marquinhos da Cooperativa.

redação Por redação
17/07/2026 - 10:28
em D+NEWS
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JUSTIÇA MANTÉM PRISÃO DE WAGUINHO; CASO REACENDE QUESTIONAMENTOS NO ES

A Justiça do Rio de Janeiro manteve a prisão preventiva do ex-militar e secretário da Prefeitura de Marataízes, Gilbert Wagner Antunes Lopes, conhecido como “Waguinho”. A prisão foi mantida durante audiência de custódia realizada na quinta-feira (16). Ele havia sido capturado dois dias antes, em Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio, após permanecer foragido da Justiça do Espírito Santo.

O mandado de prisão foi expedido pela Vara Única de Presidente Kennedy, onde tramita o processo relacionado ao assassinato do então vereador Marcos Augusto Costalonga, o Marquinhos da Cooperativa. Durante a audiência, o magistrado responsável concluiu que a ordem de prisão permanecia válida e que não havia irregularidade na captura.

Gilbert deverá continuar preso no Rio e à disposição da Justiça capixaba. A audiência de custódia não analisou se ele é culpado ou inocente, mas verificou a legalidade da prisão e a necessidade de manutenção da medida cautelar. O mérito da acusação será discutido durante o andamento do processo.

Acusação envolve morte de vereador

Marquinhos da Cooperativa foi morto a tiros em 27 de maio de 2021, quando retornava de uma partida de futebol em Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo. A esposa do parlamentar e um amigo que estavam no veículo também foram atingidos, mas sobreviveram.

Segundo o inquérito da delegacia de Presidente Kennedy, Gilbert teria ordenado o crime após uma disputa comercial envolvendo a compra de mourões de cerca. A versão policial sustenta que o vereador cobrava uma dívida e teria ameaçado pedir o bloqueio de pagamentos destinados a uma empresa ligada ao investigado.

A defesa e o próprio Gilbert contestam essa versão. Em manifestações citadas durante o programa Direto da Redação, ele afirmou não ter qualquer participação no homicídio, negou a existência de motivação para o crime e também rejeitou acusações relacionadas a ameaças e atuação em milícia.

Outros investigados foram libertados

Outros cinco suspeitos de envolvimento no assassinato foram presos em 2024, durante a Operação Gatepost. Três deles foram colocados em liberdade em maio de 2026.

A decisão considerou que os acusados estavam presos havia aproximadamente dois anos, enquanto o processo permanecia sem avanço por motivos que não poderiam ser atribuídos às defesas.

A libertação dos demais investigados, entretanto, não produziu automaticamente o mesmo efeito para Gilbert. Quando os corréus foram soltos, ele ainda estava foragido e possuía uma ordem preventiva específica em aberto.

Trajetória pública entra no debate

A prisão também trouxe novamente à tona a trajetória profissional e política de Gilbert Wagner. Antes de ser procurado pela Justiça, ele exerceu função de secretário de Limpeza Urbana na Prefeitura de Marataízes e apareceu em reportagem da TV Gazeta (afiliada à Rede Globo) sobre um projeto de recuperação de lâmpadas utilizadas na iluminação pública.

O material exibido pelo Direto da Redação também apresenta fotografias nas quais Gilbert aparece ao lado de autoridades e lideranças políticas do Espírito Santo, entre elas o ex-governador Renato Casagrande (PSB) e o prefeito de Presidente Kennedy, Dorley Fontão (PSB).  Ele também aparece ao lado de integrantes do governo estadual e representantes de municípios da região.

Uma reportagem publicada após a prisão informou que Gilbert, ao sair de sua função na Prefeitura de Marataízes, abriu empresa Lopes do Brasil, prestando serviços em Presidente Kennedy. Ele também foi militar da Aeronáutica.

Esses registros não comprovam envolvimento das autoridades retratadas nas acusações atualmente investigadas. Também não servem, isoladamente, para inocentar ou responsabilizar Gilbert. As imagens, porém, mostram que ele manteve atuação pública e circulação institucional antes de passar a ser classificado pelas autoridades como um dos criminosos mais procurados do estado.

Acusação de ligação com milícia é contestada

A Polícia Civil do Espírito Santo, no caso a delegacia de Presidente Kennedy, passou a apontar Gilbert como suposto líder de uma milícia com atuação no Sul do estado. Informações policiais também indicam que, durante o período em que esteve foragido, ele teria recebido apoio de integrantes de um grupo paramilitar no distrito de Chaperó, em Itaguaí.

A classificação é contestada pelo investigado e foi questionada durante o programa. A análise destacou que ainda precisam ser esclarecidos elementos como a estrutura do suposto grupo, os territórios eventualmente controlados, a identidade de outros integrantes e os crimes que teriam sido cometidos pela organização. No Espírito Santo não registros de grupos liderados por Gilbert.

Até o momento, as informações públicas divulgadas sobre o caso apresentam principalmente a versão das autoridades policiais. A manifestação detalhada da defesa sobre as provas utilizadas para sustentar a acusação de milícia ainda deverá ser incorporada ao processo.

Supostos dossiês precisam ser comprovados

O Direto da Redação também mencionou a possível existência de dossiês, gravações e documentos que teriam sido produzidos ou guardados por Gilbert. Entre as alegações está uma denúncia sobre supostos desvios que poderiam alcançar R$ 200 milhões em Presidente Kennedy.

O conteúdo integral desses materiais, entretanto, ainda não foi apresentado publicamente e nem validado por instituições de controle.

Com a manutenção da prisão, o processo sob o caso Marcos Costalonga continuará sob responsabilidade da Justiça do Espírito Santo, mas consta agora também que ele foi encontrado com documentos falsos. Esse processo foi registrado no Rio de Janeiro, o que poderá implicar na manutenção de Gilbert sob custódia das autoridades fluminense.

Gilbert Wagner permanece investigado e não possui condenação definitiva no caso. A responsabilidade criminal somente poderá ser estabelecida após o processo judicial, com direito ao contraditório e à ampla defesa.

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Tags: #CasoDePolícia#EspíritoSanto#GilbertWagner#Itaguaí#MarquinhosDaCooperativa#PresidenteKennedyES#WaguinhoBatmanJustiça
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