Uma ida a um ecoponto de Vila Velha, na Grande Vitória, terminou em uma descoberta inesperada: obras de arte que haviam sido descartadas como se fossem lixo. Entre os achados estavam quadros em relevo, peças trabalhadas em cobre e trabalhos assinados por artistas conhecidos no Espírito Santo.
A descoberta foi feita por Priscila, moradora que começou a frequentar ecopontos depois de decidir reformar o quarto da filha. A ideia inicial era procurar móveis e objetos antigos que pudessem ser reaproveitados na decoração. Mas, ao chegar a um desses espaços de descarte regular, ela encontrou muito mais do que itens sem uso.
Segundo a moradora, o interesse surgiu após ela lembrar de uma reportagem sobre ecopontos da cidade, locais destinados ao descarte correto de materiais e objetos que não devem ser abandonados nas ruas. A Prefeitura de Vila Velha mantém uma plataforma com geolocalização para facilitar o acesso da população aos ecopontos do município.
No local, Priscila encontrou móveis, peças de madeira, objetos antigos e, posteriormente, obras de arte. A primeira delas foi uma pintura feita à mão, assinada pela artista Miram Antonieto. Depois, vieram peças em cobre atribuídas ao artista Zanoldx, nome ligado a trabalhos marcantes no Espírito Santo.
Entre os objetos resgatados estavam quadros de metal em alto relevo e peças com detalhes minuciosos, que poderiam facilmente estar em uma galeria ou na casa de um colecionador. Em vez disso, estavam em uma caçamba, descartadas por alguém que provavelmente não reconheceu o valor artístico ou afetivo do material.
A experiência mudou também o olhar da família. De acordo com Priscila, parentes passaram a avisá-la sempre que encontram móveis ou objetos interessantes nas ruas ou em pontos de descarte. O que antes poderia ser visto apenas como entulho passou a ser observado como possibilidade de restauração, decoração e reaproveitamento.
Ecopontos têm exatamente essa função: evitar o descarte irregular e organizar a destinação de materiais como móveis sem uso, recicláveis, óleo de cozinha, papel, plástico e sucatas metálicas, conforme a estrutura disponível em cada unidade. Serviços de destinação cadastrados para Vila Velha indicam o recebimento de itens como móveis inservíveis, papel, papelão, plásticos, óleo de cozinha e sucatas de metais não ferrosos.
O caso chama atenção para dois pontos importantes: a necessidade de descarte correto e o potencial de reaproveitamento de objetos que ainda têm valor. Além de reduzir o volume de resíduos enviados para descarte final, a prática estimula a economia circular e mostra que muitos materiais podem ganhar nova função.
No caso das obras encontradas por Priscila, o reaproveitamento também ajudou a preservar parte da memória artística capixaba. Peças que poderiam ser destruídas ou esquecidas passaram a compor a decoração da casa da moradora e voltaram a ser valorizadas.
A reportagem também buscou conhecer mais sobre artistas que trabalham com cobre e alto relevo no Espírito Santo. Um dos nomes citados foi o de seu Joanes, artista que desenvolveu obras em cobre e bronze, incluindo trabalhos ligados a monumentos e espaços religiosos em Vitória.
A história reforça que, antes de descartar, é importante avaliar se o objeto pode ser doado, restaurado ou reaproveitado. E, para quem procura peças únicas, os ecopontos podem revelar verdadeiros achados — desde móveis antigos até obras de arte esquecidas.
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