Brasília recebe, a partir da próxima segunda-feira (9), a VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio. A programação reúne 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens, com produções de 15 estados brasileiros, do Distrito Federal e de quatro países: Mali, Burkina Faso, Senegal e Cuba.
A abertura será realizada às 19h20, no Cine Brasília, e terá como destaque a homenagem a duas cineastas negras de gerações diferentes: Adelia Sampaio e Joyce Prado. A noite também marcará a primeira exibição pública de um curta-metragem de Adelia que ficou desaparecido por mais de quatro décadas.
A obra “Agora um Deus Dança em Mim” foi restaurada recentemente pela Cinemateca Brasileira. O filme utiliza imagens de um solo da bailarina Tatiana Cobbett para abordar a falta de espaço para apresentações de dança no Brasil.
Adelia Sampaio contou que reencontrar o trabalho, considerado um dos primeiros de sua trajetória profissional, foi uma grande emoção. A cineasta é reconhecida como a primeira mulher negra a dirigir um longa-metragem no país, com “Amor Maldito”, lançado em 1984.
Na sequência da abertura, o público poderá assistir a “Quase da Família” (2026), último filme dirigido por Joyce Prado, que morreu em 2025, antes de acompanhar a conclusão da obra. O longa aborda a luta histórica pela regulamentação da profissão de trabalhadora doméstica no Brasil.
A homenagem foi destacada pela idealizadora e diretora da Mostra, Edileuza Penha de Souza, que considera importante reconhecer a contribuição de Joyce para o cinema negro brasileiro. A temática do trabalho doméstico também atravessa a programação, que será encerrada com a exibição de “Aqui Não Entra Luz”, de Karol Maia.
Livro de Adelia Sampaio também integra a programação
Além das exibições, a Mostra terá o lançamento do primeiro livro infantojuvenil de Adelia Sampaio. Intitulada “Voos e Sonhos de uma Borboleta”, a obra apresenta, de forma poética, passagens da infância da cineasta.
Nascida em Belo Horizonte, Adelia passou parte da infância em um abrigo em Santa Luzia do Rio das Velhas, em Minas Gerais. Ela foi levada à instituição aos 7 anos, por determinação da patroa de sua mãe, Guiomar, que trabalhava como empregada doméstica.
Aos 12 anos, passou a morar com a irmã e teve o primeiro contato com o cinema, experiência que despertou sua paixão pela arte. Décadas depois, fez história ao dirigir “Amor Maldito”, tornando-se a primeira mulher negra a comandar um longa-metragem no Brasil.
Serviço:
- Abertura da Mostra: 9 de novembro, às 19h20, no Cine Brasília.
- VIII Mostra Competitiva de Cinema Negro Adelia Sampaio: de 10 a 14 de novembro, no Anfiteatro 10 da Universidade de Brasília (UnB).
- Lançamento do livro “Voos e Sonhos de uma Borboleta”: 10 de novembro, às 16h, no Anfiteatro 10 da UnB.
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