O edital Rouanet Nordeste, encerrado no último dia 5 de setembro, alcançou um marco histórico com 325 propostas voltadas ao patrimônio cultural, número recorde para a área. O resultado coloca o segmento no mesmo nível das artes visuais (324 propostas) e à frente das humanidades (305). Mais da metade das iniciativas (164) focam na salvaguarda do patrimônio cultural imaterial, tradicionalmente uma área com menos acesso a fomento.
Segundo o presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Leandro Grass, o recorde reflete a importância da política de descentralização do fomento cultural. “A Rouanet Nordeste valoriza o patrimônio cultural como identidade e motor de desenvolvimento econômico e social. Garantir oportunidades em regiões historicamente menos contempladas é essencial para que os agentes locais sejam protagonistas na preservação e difusão das memórias culturais do Brasil”, destacou.
Durante a execução do edital, o Iphan e suas superintendências estaduais realizaram 11 oficinas de capacitação, alcançando os nove estados do Nordeste, além do norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Mais de 120 agentes culturais participaram de formações que abordaram desde a elaboração até a execução de projetos pela Lei Rouanet.
O patrimônio já tem R$ 1,5 milhão garantidos em recursos, e as propostas seguem agora para avaliação técnica e seleção. Para o diretor do Departamento de Ações Estratégicas e Intersetoriais (DAEI) do Iphan, Daniel Sombra, o resultado mostra “o impacto das ações de mobilização e a força criativa e comunitária da área do patrimônio”.
Destaques regionais e áreas de inscrição:
- Pernambuco e Bahia: 61 propostas cada
- Ceará: 46
- Maranhão: 43
- Paraíba: 35
As propostas se dividem em três frentes principais:
- Salvaguarda do patrimônio imaterial: 164 projetos (50,46%)
- Educação patrimonial: 135 projetos (41,54%)
- Artesanato tradicional: 26 projetos (8%)
Sobre a Rouanet Nordeste
Lançado em agosto de 2025 pelo Ministério da Cultura (MinC), o edital destina R$ 40 milhões para projetos no Nordeste, norte de Minas Gerais e Espírito Santo. Os recursos são viabilizados pela Lei Rouanet com patrocínio de estatais como Banco do Nordeste, Petrobras, Banco do Brasil, Caixa, Serpro, Transpetro e EMGEA.
A iniciativa contempla áreas diversas — patrimônio material e imaterial, artes cênicas, música, audiovisual, artes visuais e humanidades — fortalecendo a política de descentralização do fomento cultural no Brasil.
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